Publicidade

03 de Julho de 2014 - 06:00

Por JHONATAS FRANCO

Compartilhar
 

Perdão pelos clichês

O tal do #naovaitercopa já caiu por terra. Voou pelos ares. Foi por água abaixo. De "Copa da Vergonha" para "A Copa das Copas", foi um pulo. O que parecia ser brincar com fogo, hoje é visto como um acerto em cheio. Arestas Fifa à parte, estamos botando banca em africanos, europeus e asiáticos, só para ficarmos nos três últimos torneios. Arrebentamos a boca do balão, demonstramos nossa calorosa recepção e agora comemoramos a injeção de ânimo vinda desse sucesso estrondoso. Seja num sol escaldante ou com chuvas torrenciais, a Copa acontece e vai indo muito bem, obrigado.

Odeio clichês.

Nossa Seleção não tem apresentado o velho futebol-arte e ainda não vimos vitórias convincentes. Está longe de agradar a gregos e troianos e vem sofrendo duras críticas. Como quem espera sempre alcança, sigo propagando aos quatro ventos que não há time a nos deter, ainda que reconheça a possibilidade de dar com os burros n'água. A esperança é a última que morre.

E olha que sou avesso a clichês.

Os jogos do escrete canarinho têm sido verdadeiros duelos de titãs. De positivo, vemos jogadores com o coração na ponta da chuteira, correndo a todo vapor, dispostos a dar o sangue pelo caneco. De negativo, craques chorando copiosamente e futebol burocrático. Num esporte em que a bola pune e uma partida é definida em detalhes, não há tempo para voltas por cima ou sede de vingança. Perdeu, é tchau e bença. Até agora, temos nos saído bem nesses testes para cardíacos. Se não jogamos o futebol moleque, envolvente, ao menos estamos usando a nosso favor o "quem não faz, leva".

É... os clichês podem não ser tão ruins assim...

O futebol é caracterizado não somente por suas regras, jogadores e estádios, mas por seus clichês. São eles que situam o espectador, especialmente o que diz que "não é muito de futebol, mas gosta de Copa". Esses torcedores ancoram-se em frases feitas, chavões, tais quais os quase 40 utilizados até aqui. Os mais entendidos - ou pseudo-tais - fazem questão de relembrar Bebeto e Romário, o Toco y me Voy argentino, a Laranja Mecânica de 74, a brilhante Canarinho de 70. De um jeito ou de outro, lá estão eles, os clichês, responsáveis pela unificação da torcida, por um discurso aceito pela maioria nos antros etílicos de discussão futebolística.

Clichês são legais.

Comentaristas bradam que Neymar e Messi carregam suas seleções nas costas, Cristiano Ronaldo amarelou, Klose está a um passo de entrar pra história e Suárez foi pego com a boca na botija. Clichês foram esguelados nas manifestações do ano passado, são o mote das relações interpessoais e, dentre tantos outros exemplos, permeiam nosso futebol. Portanto, grite a plenos pulmões que não temos meio-de-campo, que o Fred tá sumido do jogo, que a Copa tá comprada, que não existem mais bobos no futebol e que o amigo da ponta da mesa vai pagar a conta.

Viva o clichê!

Futebol é clichê. Torcer é clichê. A vida é clichê - e discordar disso, também. Aos contrários, um consolo é constatar que durante essa época de Copa as conversas de elevador e taxi fugirão à tríade tempo-trânsito-corrupção. Retomando a personagem principal da resenha, a Seleção Brasileira, o senso comum é desejar que os Deuses do futebol não nos decepcionem - e que o Papa não nos ouça, porque ganhar é bom, mas ganhar da Argentina...

Ah, e novamente, perdão pelos clichês.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você concorda com a retirada das pinturas de Lucio Rodrigues dos pontos de ônibus?