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04 de Julho de 2014 - 06:00

Por MARCOS ARAÚJO

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 A cena de Júlio César sendo praticamente sufocado pelos seus companheiros ao final do último jogo da Seleção Brasileira na Copa, quando o Brasil venceu o Chile por 3 a 2, na disputa por pênaltis, jamais deverá sair da memória do goleiro e nem dos milhares de brasileiros que amargaram um jogo tenso, para não dizer dramático, com empate na prorrogação. Tido como um vilão no Mundial de 2010 na eliminação do Brasil na África do Sul, o arqueiro deixou o Mineirão como o salvador da pátria. "Nada como um dia após o outro", deve ter pensado o nobre camisa 12 brasileiro, e nada como a mídia, com seu poder de persuasão, para transformar vilões em heróis e vice-versa.

Em dias anteriores, Neymar carregava nos ombros o peso de nossa Seleção, inclusive houve jornalistas que classificaram a subordinação de toda a equipe de Felipão a Neymar como "neymardependência", um neologismo que marca de forma evidente essa relação criada pela mídia. Entretanto, o atacante foi relegado ao segundo plano, deixando seu lugar sob os holofotes para Júlio César, pelo menos até a próxima partida. Essa dança das cadeiras, sim, também é um jogo dramático, no qual seus personagens mudam de posição a toda hora e, consequentemente, não deve fazer bem a nossas estrelas futebolísticas, uma vez que a imprensa já fala em descontrole emocional na Seleção.

Se antes a mitologia era a máquina que construía homens míticos, hoje eles são criados pela mídia, certa de que necessitamos deles. Nas capas dos jornais, nas ondas da televisão e na internet, jogadores de futebol transformam-se em mitos. Esse mecanismo tornou-se cada vez mais poderoso à medida que os meios de comunicação de massa globalizaram a informação através das novas tecnologias. A exposição é tamanha que nomes de jogadores como Pelé, Romário, Ronaldo e, também, Neymar são ditos por habitantes de todo o planeta, sempre que alguém se identifica como brasileiro. Essa idolatria encontrou na comunicação de massa o meio para sua realização, já que ela legitima os heróis.

Porém, o que não fica claro para muitas pessoas é que a mídia usa essa relação como combustível para que sua engrenagem comercial também funcione. E como funciona, pois só se fala em cifras com mais de seis dígitos. É uma via de mão dupla, se hoje Neymar chega a ter um salário anual de R$ 35,6 milhões, é porque, como estrela do show business, ele é parte do sistema.

Mas vamos deixar essa conversa fiada para outra oportunidade. Estamos na Copa do Mundo e nossos heróis servem para expurgar a tristeza de nossos corações calejados diante de muitas mazelas sociais e corrupção, afinal somos a "pátria de chuteiras". Quem venha o hexa!!!

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