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30 de Março de 2014 - 06:00

Árbitro auxiliar Marcelo Van Gasse entra na reta final de preparação para o teste que pode confirmar sua participação no Mundial

Por WALLACE MATTOS

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Marcelo Van Gasse faz, na ufjf, seu último treinamento antes da avaliação final da fifa
Marcelo Van Gasse faz, na ufjf, seu último treinamento antes da avaliação final da fifa

Se em busca de uma vaga na Copa do Mundo os times passam por eliminatórias duras, não seria diferente na arbitragem. E essa semana começa a reta final de um processo de seleção dos árbitros e assistentes que vão comandar as partidas no Mundial do Brasil, a partir do dia 12 de junho. Assim, é tempo de decisão para o representante de Juiz de Fora no maior evento do futebol no planeta, o árbitro assistente Marcelo Van Gasse, 37 anos, nascido em Valença, no interior do Rio de Janeiro, mas que fez da Princesa de Minas sua casa há 15 anos.

Entre os dias 4 e 11 de abril, o professor de educação física formado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) estará na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça, para um seminário ao lado dos demais escolhidos pela entidade, no qual serão feitos os últimos testes eliminatórios para os trios de arbitragem. Passando por essas avaliações médicas, teóricas e físicas, Van Gasse finalmente poderá realizar o sonho de todos envolvidos com o futebol no mundo e fazer parte de uma Copa.

Mas antes disso há compromisso visando a um bom desempenho na Suíça em território brasileiro. Amanhã, Van Gasse, que atua pela Federação Paulista de Futebol (FPF), vai para Campos do Jordão, região serrana de São Paulo, onde a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) preparou um treinamento especial para ele e seus companheiros selecionados para o Mundial do Brasil: o mineiro Sandro Meira Ricci, árbitro no Distrito Federal, e o assistente Emerson Augusto de Carvalho, também da FPF.

"Vamos só nós três para esse período em Campos do Jordão. É um intensivão, onde vamos ter treinos com preparador físico e fisiologista da CBF, para que possamos nos concentrar, alimentar direito, descansar com qualidade e entrar em sintonia para irmos bem no teste da Fifa. É uma ajuda que a entidade está nos dando, porque, claro, tem interesse que passemos e sejamos o trio brasileiro na Copa do Mundo", explica Marcelo.

Atleta

Embora todo o processo do seminário seja importante para os 25 trios e oito duplas reservas que estarão em Zurique, o dia mais decisivo já está marcado: 8 de abril. "Será o teste físico. Assim que chegarmos, no dia 4, faremos os exames médicos, haverá aulas e provas teóricas, mas é mesmo a parte de preparação física a prova mais dura. Essa é, de longe, a prova da minha vida, que pode me colocar dentro de uma Copa do Mundo, realizando um sonho. Bate uma ansiedade, claro, mas estive me dedicando desde que recebi a convocação da

Fifa, em janeiro, para isso. Até antes, quando estava entre os cotados para ficar na reserva. Assim, tenho feito de tudo para me preparar. Virei um atleta mesmo, com treinos, cuidados com a alimentação e a parte psicológica", conta Van Gasse, que, nos últimos 15 dias, assim como Ricci e Carvalho, pediu dispensa das escalas em níveis nacional e internacional para se dedicar à fase final de preparação para os testes da Fifa.


O mais duro dos testes

Segundo Van Gasse, no tempo afastado das partidas oficiais, a atenção especial foi para passar no teste físico do 8 de abril. "Quando você está em atividade, não consegue treinar. Não perde só o dia da partida, mas viaja um, às vezes dois dias antes do jogo, faz a arbitragem e volta no dia seguinte. São três, quatro dias dependendo de onde vamos atuar. Fora isso tem o desgaste de dormir em lugares diferentes, às vezes se alimentando mal. Então conversamos eu, o Sandro e o Emerson, e chegamos a um consenso que precisávamos dessas duas semanas de preparação final. Agora, com esse treinamento da CBF, vamos confiantes para a Suíça", garante.

A preocupação com a avaliação física da Fifa é fundamentada. O teste para os trios é eliminatório e mais duro do que aqueles que a própria entidade aplica para que seus árbitros e assistentes mantenham-se credenciados a participar de arbitragens de competições que ela promove. "Começa com uma prova de seis tiros de 40m, nos quais o tempo máximo é de 5,8 segundos. Descansamos 8 minutos e, depois, durante dez voltas na pista de atletismo, temos que executar 40 acelerações de 75m em, no máximo, 15 segundos, com intervalos de descanso de 25m que devem ser cumpridos em 20 segundos, ou seja, repetimos esse procedimento quatro vezes por volta. É bem mais difícil do que os 150m em 30 segundos com descanso de 50m em 40 segundos da avaliação habitual", explica Van Gasse, assistente Fifa desde 2011.

Quando soube da exigência do teste, Marcelo chegou a se assustar, mas, com o passar dos treinos, a confiança em um bom desempenho que o levará à Copa do Mundo aumentou e hoje o juiz-forano por adoção acredita que só um imprevisto grande pode evitar que ele seja aprovado na avaliação da Fifa. "Eles querem o melhor no Mundial, por isso a exigência é grande. Vi as marcas e deu aquele impacto, mas fui treinando e vendo que conseguiria cumpri-las. Hoje estou confiante. Vamos fazer as provas pela manhã, no frio. Lá é primavera, mas devemos pegar temperaturas de cerca de 10ºC. Não estou acostumado, mas vou fazer um aquecimento bem feito para não ter problemas. Nem se pegar uma gripe, por exemplo, ficarei prejudicado para completar o teste. Treinei forte para, mesmo debilitado, cumpri-lo. Só mesmo uma lesão para me tirar. Mas, se precisar, vou na raça", garante.


Treino final em Juiz de Fora

Ontem, Van Gasse realizou seu último treino em Juiz de Fora antes de ir para Campos do Jordão e, depois, embarcar para Zurique. Anderson Occhi, que trabalha há cerca de um ano com o assistente juiz-forano, quando este ainda era reserva do trio mais cotado para estar no Mundial, afirma que ele está pronto para encarar e passar no teste mais importante de sua carreira. "O Marcelo está voando. Fizemos uma programação para que ele se acostumasse a fazer mais do que o exigido na avaliação. Nos preparamos para o pior cenário para que ele se sinta confortável no teste na Suíça. Estou confiante de que, se nada muito errado acontecer, ele estará na Copa", projeta o treinador particular, que acompanhou todos os treinos de seu aluno na pista da UFJF. "A Universidade abriu esse espaço para nós e temos que agradecer porque esse trabalho de pelo menos duas simulações aqui foi fundamental para a boa preparação dele".

De acordo com Occhi, depois da aprovação na avaliação do dia 8 de abril e no seminário da Fifa, Van Gasse tem um novo período de treinos visando o Mundial do Brasil. "Nesse período, vamos focar na manutenção do condicionamento, que hoje é muito perto do ápice dele, para que ele chegue 100% à Copa. Mas o mais importante é evitar uma lesão. Então todo cuidado é pouco", explica Anderson.


Um degrau de cada vez

Van Gasse é árbitro assistente há 14 anos. E, no ano passado, viveu seus melhores momentos na carreira até aqui. Participou do trio de arbitragem da final do Campeonato Paulista, da Recopa Sul-Americana, do segundo jogo da final da Copa do Brasil, de uma semifinal do Mundial Sub-17, além de atuar na final do Mundial de Clubes da Fifa. Agora a meta é atuar na Copa do Mundo do Brasil. Caso seja aprovado nos testes em Zurique, ele só tem a certeza de estar escalado para um jogo. "Costumo dizer que faremos uma partida no Mundial. Conforme o trabalho realizado, seremos escalados para outros confrontos", prevê.

O sonho que está prestes a se realizar começou na graduação em educação física na UFJF, na qual Van Gasse se formou em 2001. Foi o ex-colega de sala Rodrigo Cintra, hoje ex-árbitro, comentarista e executivo da Fifa responsável pela acomodação e tickets das delegações que irão participar da Copa na Bahia, que convenceu o amigo a fazer o curso de formação de árbitros da FPF, com duração de dois anos, aos fins de semana.

Em 2003, Van Gasse entrou para o quadro de árbitros da CBF e, no mesmo ano, começou a trabalhar em jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, vendo sua carreira deslanchar. No início de 2011, recebeu o escudo da Fifa de assistente internacional. Desde então, trabalha em partidas importantes tanto no Brasil como internacionalmente.

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