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09 de Março de 2013 - 18:00

Carijó despacha o Guarani por 2 a 1, com gols de Wesley e Rafael Assis

Por Renato Salles

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Atualizada às 20h30

Como um filme do diretor italiano Sergio Leone, a partida entre Tupi e Guarani disputada ontem à tarde, no Estádio Municipal, merecia uma trilha de Ennio Morricone. Porém, diferente das tradicionais películas de faroeste, nada de caubóis. A quinta rodada do Campeonato Mineiro reservou um duelo entre índios, no qual o Carijó mostrou quem é o dono da aldeia e escalpelou os visitantes. A vitória por 2 a 1 foi conquistada graças aos gols dos moicanos Wesley e Rafael Assis. O zagueiro Tiago Papel marcou para o Bugre, mas nada que impedisse a tribo juiz-forana de armar barraca no G4, na quarta colocação, com 9 pontos. Após o primeiro triunfo em seus domínios, os locais seguem invictos no certame, sem medo de caras pálidas ou peles vermelhas. No próximo sábado, saem à caça da próxima vítima: o Nacional de Nova Serrana.

Para botar banca de cacique, o Tupi começou o jogo a galope. O atacante Rafael Assis atuou como uma flecha pelo lado esquerdo e foi o primeiro a levar perigo para além das fronteiras carijós, em chute cruzado, aos 2 minutos da etapa inicial. A partir daí, como em um ritual ancestral, o Carijó começou a fazer tudo em dobradinha. Algo como "replays", só que em tempo real. Aos 5, o lateral-esquerdo Alonso arriscou de fora da área. O goleiro Leandro, do Guarani, bateu roupa, e por pouco o ataque alvinegro não aproveita o rebote. Um minuto depois, o meia Vinícius arriscou de fora da área. Leandro bateu roupa. Por pouco, o ataque alvinegro não aproveita.

Na sequência foi a vez de Rafael Assis protagonizar os repetecos. Como um índio que trocou algumas pepitas de ouro por uma bicicleta velha, aos 12, o atacante desceu em pedalada desenfreada pela direita, foi ao fundo e cruzou rasteiro. A bola cortou toda a pequena área, mas não encontrou nenhum pé alvinegro. Dois minutos depois, o camisa 7 desceu pedalando, agora pela direita, e o final da jogada é fácil de se imaginar.

Com velocidade, o Tupi dominava o território quando o cronômetro apontou 22 minutos do primeiro tempo. É possível que estes 60 segundos tenham representatividade em alguma lenda tribal do Pacífico Sul. Foi exatamente neste mágico espaço de tempo que o meia Paulinho cobrou falta pela direita, levantou na área para Wesley subir, resvalar o moicano na bola e abrir o placar para os donos da aldeia.

A partir daí, o Guarani se pintou para a guerra e se lançou ao ataque. O atacante Eric perdeu boas oportunidades, todavia, a mais incrível de todas foi desperdiçada pelo meia Silas. Aos 43, o camisa 10 do Bugre foi lançado e arrancou sozinho pela intermediária. Quando o armador invadiu a área, o goleiro Jordan incorporou o Chefe Apache do clássico desenho animado "SuperAmigos", cresceu na frente do adversário e fez uma bela defesa.

Segundo tempo
Antes de a bola rolar para o segundo tempo, um breve intervalo. Espaço para a mocinha brilhar e a musa do Tupi, Hellen Bittencourt, desfilar talento pelo gramado, no lance mais bonito do jogo. Mas era preciso resolver uma pendenga entre tribos adversárias. O Guarani voltou se expondo mais. O Tupi contragolpeava. Pareciam mais Rocky Balboa e Apollo "Doutrinador" Creed do que índios. O duelo seguiu franco até que o relógio apontasse aqueles 60 segundos das lendas tribais. Aos 22, Paulinho recebeu na área de Wesley. O camisa 10 tentou driblar a zaga e foi derrubado. Rafael Assis foi o escolhido para a missão. Ajeitou a bola, ameaçou correr, parou, correu e colocou no canto esquerdo com categoria. Sem despentear o moicano.

Parecia que não existiria pajé no mundo capaz de mudar os destinos da partida. Foi quando, aos 40, o Guarani cobrou escanteio da direita. O goleiro carijó saiu trombando com todo mundo, até que o zagueiro Tiago Papel se ofereceu para que uma nova história pudesse ser escrita, marcando de cabeça. O Bugre se lançou ao ataque, desesperado pelo empate. Lembra da rotina de dobradinhas que marcou a partida? Pois é, aos 46, novo escanteio pela direita e nova bola alçada na área alvinegra. Dessa vez, Jordan, o Chefe Apache carijó, apareceu soberano e garantiu o triunfo por 2 a 1.

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