A não ser que o Flamengo contrate o Lionel Messi e o Cristiano Ronaldo (um só não adianta) até o fim do mês, acho que não teremos notícia melhor no futebol nacional do que a liberação do Mineirão para as torcidas de Cruzeiro e Atlético assistirem ao clássico agendado para o dia 3 de fevereiro, que marca a reabertura do estádio. Considero a iniciativa do Governo do Estado uma demonstração de autoridade digna de aplauso.
No ano passado, Minas Gerais passou mais de uma vez pelo embaraço de ter partidas entre Galo e Raposa apenas com uma torcida por vez. A medida, tomada para evitar os graves episódios de violência que invariavelmente vinham marcando os clássicos, era mais que uma prova de incompetência: era um atestado de preguiça.
Ou não está entre as atribuições dos poderes constituídos - no Governo do Estado, na Prefeitura de Belo Horizonte, na Polícia Militar de Minas Gerais - impedir que eventos esportivos se transformem em episódios de guerra? Desistir de botar ordem na barbárie era, para falar a língua do futebol, correr do pau. A atitude tomada na reunião da última terça-feira entre representes dos clubes, da PM e do Governo, arregaçando as mangas, demonstra uma mudança de comportamento por parte de quem promove o espetáculo. Agora é preciso mudar o comportamento dos "espectadores" com arroubos de gladiadores.
A experiência da Inglaterra é exemplar, especialmente em um ponto: o rigor na punição aos envolvidos em delitos nos estádios de futebol e seus arredores. A mudança que transformou o futebol britânico de símbolo de violência em sinônimo de organização e negócio lucrativo ocorreu graças a vários aspectos, como reforma dos estádios, monitoramento intenso e reestruturação dos próprios clubes. Mas não dá para ignorar que um corretivo bem aplicado faz toda a diferença, acompanhe:
Durante a temporada 2011-2012, o número total de prisões no futebol inglês foi de 2.363. É muito, mas representa uma queda de 24% em relação a 2010-2011. A mesma coisa vale para os banimentos: em 9 de novembro de 2012, havia 2.750 pessoas banidas dos estádios britânicos, 13% menos que em 30 de novembro de 2011.
Agora, o Brasil: segundo reportagem do jornal "Extra", a relação mais recente da CBF de banidos dos estádios do país conta com apenas NOVE torcedores.
Aí fica difícil.



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