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19 de maio de 2017 - 07:00

Feito por eles mesmos

Caiau lança o EP 'Rupestre', produção independente gravada na casa de um dos integrantes do trio juiz-forano
Por Júlio Black 
caiau

Xurume, Thiago e Guina unem peso e velocidade em ‘Rupestre’ (no detalhe), EP da banda Caiau (Foto: Divulgação)

“Faça você mesmo e mostre o seu trabalho para quem quiser ouvir”: adaptando o tradicional lema punk – por ironia, um estilo musical e de vida que buscava romper com a tradição -, o trio juiz-forano Caiau arregaçou as mangas e colocou na praça o seu trabalho de estreia. Com seis canções rápidas, pesadas, berradas, diretas no discurso e sem medo de colocar vários dedos na ferida, “Rupestre” foi lançado no último dia 29 e pode ser ouvido tanto em CD quanto pela internet, em www.soundcloud.com/caiauhardcore. Além do EP, a banda deve lançar um videoclipe da música “O gelo derreteu”, que ainda será gravado e terá produção de amigos de uma produtora que se ofereceram para a tarefa.

Formado por três nomes militantes no cenário local (Thiago Fonseca na guitarra, Xurume na bateria, irmãos que já fizeram parte do Capetão América; e Guina, guitarrista do Traste “convertido” em baixista), o Caiu surgiu em agosto de 2015 e tratou de produzir seu trabalho de estreia da forma mais independente possível: eles produziram e gravaram o disco na casa de Thiago, exceção feita à bateria, gravada no estúdio Rise Togheter, onde Tierez Oliveira (Usversus) tratou de dar aquela força na pós-produção.

“Gravar na casa do Thiago deu uma tranquilidade incrível, sem a pressão do estúdio”, diz Xurume. “Podíamos parar para tomar uma água, uma cerveja, deixar para continuar na próxima semana…” Foi nesse esquema que os três se reuniam todo final de semana entre julho e dezembro do ano passado, transformando o quarto do guitarrista em estúdio. “Nós colocávamos cobertores nas paredes para melhorar a acústica – e também não assustar os vizinhos. Nunca tivemos reclamações, pelo menos com o som (risos)”, diz Thiago. “Era bem esquisito saber que os vizinhos podiam ouvir a gente gritando”, lembra Guina. “Chamamos quatro amigos para fazer os backing vocals, parecíamos hooligans.”

Dentro desse clima “quanto mais simples, melhor”, o Caiau tratou de ser econômico e criativo para embalar o trabalho. A capa do CD é um prosaico saco de papel carimbado com a arte da banda, envolvido por um envelope plástico. Somente a capa interna do EP, com temas tribais, foi impressa em gráfica. “Foi uma ideia que ficou barata, até porque hoje poucos compram a mídia física. É mais fácil também de fazer novas tiragens quando for preciso”, ressalta Xurume, que diz ter “roubado” a ideia que um amigo que comentou com ele anos atrás. “Ele mesmo já havia esquecido da ideia (risos), mas lembro que ele dizia que lançaria um álbum chamado ‘O pão nosso de cada dia’.”

Um dos motivos para a produção independente e caseira, de acordo com Guina, foi a necessidade de colocar o trabalho na praça o mais rápido possível. “Nem pensamos em procurar apoio ou leis de incentivo, porque o processo de composição foi bem rápido. Quando as músicas estavam prontas decidimos gravá-las, se tivesse que procurar apoio demoraria muito”, explica. “Mas não descartamos a ideia de procurar uma lei de incentivo no futuro”, acrescenta Thiago Fonseca.

O peso e a fúria do hardcore

A Caiau surgiu da necessidade dos irmãos Xurume e Thiago continuarem ativos no meio musical. Eles eram integrantes da banda Mata, que encerrou as atividades quando estava no processo de gravação de seu álbum. “Resolvemos então montar uma banda no esquema baixo e bateria, e aí o Guina ficou sabendo e se ofereceu para tocar e topou ser o baixista”, conta Thiago. “Esse formato de trio dá mais liberdade para tocar em qualquer espaço”, destaca Xurume.

Todos os integrantes compõem suas letras, que podem tanto abordar temas pessoais quanto questões sociambientais, mas sempre acompanhadas de músicas marcadas pelo peso e a fúria que um bom hardocre pode oferecer. Já o nome veio de uma viagem de Xurume para Pouso da Cajaíba, em Paraty (RJ). “Esse local tem a praia de Calhaus, com três pedras enormes, que me lembraram dos navios que encalham. E eu sou tatuador e tenho uma ligação forte com desenhos indígenas, e daí veio o nome, que também tem a ver com pedrada, o peso do som. O título do EP também reflete essa ideia”, explica Xurume. “Eu disse que voltaria da viagem com um nome para a banda, e foi o que aconteceu (risos).”

 

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