‘Comboio do bem’ leva presentes de Natal para escolas especiais

Onze de dezembro de 2015, redação Tribuna de Minas. O telefone não para de tocar. Curiosos, dezenas de leitores entram em contato com o jornal para saber o motivo de tantas viaturas – de polícias, bombeiros e Exército -, nas ruas de Juiz de Fora. “Não, senhor. Não é nenhuma mega operação policial. Nem nenhuma […]

Por Juliana Netto

07/12/2016 às 10:41hs - Atualizada 07/12/2016 às 12:45hs

Onze de dezembro de 2015, redação Tribuna de Minas. O telefone não para de tocar. Curiosos, dezenas de leitores entram em contato com o jornal para saber o motivo de tantas viaturas – de polícias, bombeiros e Exército -, nas ruas de Juiz de Fora. “Não, senhor. Não é nenhuma mega operação policial. Nem nenhuma tragédia na cidade. É o comboio de entrega dos presentes de Natal do radialista William Boy”, explica algum colega jornalista.

Há 16 anos, William Boy – e toda a sua rede de amigos – não só chama a atenção da população, como não mede esforços para proporcionar um dia especial, única possibilidade de encontro com o Bom Velhinho para a maioria dos jovens atendidos por instituições da cidade. Em todos estes anos, a opção é apadrinhar somente cartinhas de crianças especiais: “Um dia eu cheguei nos Correios e as cartas da Escola Estadual Maria das Dores estavam todas nos envelopes. Eram 267 e nenhuma havia sido pega ainda”, explica William.

A partir daquele ano, o encerramento do ano letivo dos alunos jamais foi o mesmo. “É o dia mais feliz da escola. Só ficamos por conta da festa no dia. O Papai Noel chega com a sirene ligada. É muito grande a alegria deles e até mesmo a dos funcionários”, explica a diretora da instituição, Maria Aparecida Godinho. “Essa é uma escola com alunos muito carentes. Apesar deles mesmos saberem os presentes, é um dia muito importantes para eles. Por ser uma escola de educação especial, é até difícil ter palavras para explicar. Todos ficam muito emocionados”, revela a diretora.

Para William, o sucesso do “comboio do bem” deve-se a cada um dos envolvidos, doadores dos presentes ou voluntários que se dispõem a participar da visita às instituições. “Tem muita gente que não está de serviço no dia, não está escalado, mas veste a farda para participar”, explica. “As pessoas amigas, que nestes anos todos foram agregando a ideia, foram melhorando as coisas. Digamos que esta ação não é minha há muito tempo, aliás ela nunca foi”, corrige o radialista. Para ele, até mesmo as crianças foram contribuindo para a evolução da iniciativa: “Como o caminhão dos bombeiros é vermelho, as crianças acham que eles são os ajudantes do Papai Noel. Uma criança então virou e falou que o Papai Noel precisava de segurança. Entrei em contato com a Polícia, que adotou a ideia. Em uma outra edição, outra criança disse que o Papai Noel estava sozinho. Daí, arrumamos uma Mamãe Noel”. Além de Polícia Militar – incluindo Banda de Música, helicóptero Pégasus e viaturas do 2º e do 27º Batalhão, e Corpo de Bombeiros, neste ano estão confirmadas as presenças das polícias Civil e Rodoviária Federal, do Exército, dos carros dos Correios, da Guarda Municipal e da Settra.

“Apesar de ser um grupo de amigos, como pessoa física, o William é o maior padrinho que a gente tem”, revela a coordenadora do Projeto Papai Noel dos Correios, em Juiz de Fora e Zona da Mata, Maria do Carmo Lopes.

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Perguntado sobre o número de presentes entregues nestes 15 anos, William diz não ter este dado. “Nunca fiz essa conta e acho que nunca vou fazer. O importante é que todo ano a gente começa do zero. Uma criança especial muitas vezes pede coisas simples e as vezes ganha três, quatro presentes”. Elas não imaginam a correria que a gente arruma, os vários telefonemas, as noites sem sono, a negociação de preço para comprar mais coisas. É essa pureza no coração delas que vale por tudo isso. É um dia do ano que vale por todos os outros”, analisa.

Você pode fazer parte

Neste ano, as entregas serão realizadas na próxima sexta-feira (9). Além do Maria das Dores, receberão presentes crianças e adolescentes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), do Instituto Vitória, do Instituto Bruno e do Instituto Médico Psicopedagógico (IMEPP). Os últimos 22 presentes dos cerca de 1.800 foram recebidos e embalados pela equipe de voluntários nesta terça-feira. Interessados em acompanhar o deslocamento das cerca de 20 viaturas poderão seguir o comboio, que sairá do 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros, na Avenida Brasil, às 8h. Para o próximo ano, quem quiser fazer parte da iniciativa pode entrar em contato diretamente com o radialista, no número (32) 9 9965-8095, já a partir de agosto.

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