Minas tem quase 70 mil presos, mais que o dobro das vagas

Minas Gerais tem quase 70 mil presos, mais que o dobro da capacidade, de 32.758 vagas, segundo dados da Secretaria de Administração Prisional (Seap). Apesar de não disponibilizar informações sobre a lotação de unidades específicas, por razões de segurança, a pasta divulgou que, até o fim da semana passada, o número de detentos no estado […]

Por Michele Meireles

11/01/2017 às 07:00hs - Atualizada 11/01/2017 às 14:09hs

Minas Gerais tem quase 70 mil presos, mais que o dobro da capacidade, de 32.758 vagas, segundo dados da Secretaria de Administração Prisional (Seap). Apesar de não disponibilizar informações sobre a lotação de unidades específicas, por razões de segurança, a pasta divulgou que, até o fim da semana passada, o número de detentos no estado era de 69.262. Deste total, 60.776 estão acautelados nas 183 unidades da Seap, onde o percentual de presos provisórios gira em torno de 50%. A preocupação com a superlotação dos presídios no Brasil, incluindo Juiz de Fora, voltou à tona com os recentes massacres nos estados do Amazonas e de Roraima, no Norte do país, que já deixaram cerca de cem mortos.

Como o estopim para as rebeliões foi atribuído à guerra entre facções criminosas, também aumentou a tensão em torno da possível presença de membros de grupos extremamente violentos dentro do sistema prisional da cidade, formado pelo Ceresp e pelas penitenciárias Ariosvaldo Campos Pires e José Edson Cavalieri, todos localizados no Bairro Linhares, Zona Leste. Em nota, no entanto, a secretaria afirmou não prestar informações relativas a possíveis membros de facções criminosas cumprindo pena nas unidades prisionais.

“A Seap tem o acompanhamento de todas as unidades e, junto com as forças de segurança do estado, está apta a fazer frente a qualquer demanda do sistema prisional”, garantiu. “Cabe destacar que em Minas Gerais não foram registrados, em 2016, confrontos no interior das unidades prisionais”, completou.

Detento usou redes sociais dentro da Ariosvaldo

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Apesar das afirmações, a Polícia Civil identificou, em agosto do ano passado, que um detento da Ariosvaldo, 34, estava agindo como propagador do Estado Islâmico em redes sociais. Mesmo cumprindo pena, ele conseguia disseminar a organização terrorista do Oriente Médio de dentro da cadeia, por meio de um celular. O suspeito ainda pertenceria a uma quadrilha do São Benedito, na Zona Leste, considerada, na época, a mais atuante em vários crimes violentos ligados ao tráfico, tendo contribuído de forma relevante, conforme a polícia, para a explosão na cidade no número de homicídios e de roubos à mão armada, principalmente de veículos. Segundo as investigações, o bando também teria relação com o crime organizado no Rio de Janeiro, mais especificamente com a facção Comando Vermelho. Diante da descoberta, o preso foi transferido naquela ocasião para outro presídio, não informado por questões de segurança.

Em outras ações desencadeadas pela Polícia Civil em anos anteriores também foi identificada a ligação de presos em Juiz de Fora com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O medo de uma possível rebelião no município decorre, ainda, sobre o fato da conhecida superlotação do Ceresp, destinado a presos provisórios. Em março do ano passado, por exemplo, a unidade tinha mais de mil detentos dividindo espaço projetado para 332.

Conforme a assessoria do Estado, este ano, o Governo, por meio da Seap, inaugurará quatro unidades prisionais, ocasionando a criação de mais 1.120 novas vagas. O número, entretanto, parece ínfimo diante do déficit superior a 36 mil.

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