Violência contra dono de bar deixa comunidade assustada no São Pedro

Com medo da violência, comerciantes estão fechando as portas mais cedo

Por Tribuna

14/07/2017 às 19:40hs - Atualizada 15/07/2017 às 17:08hs

Por Marcos Araújo, Michele Meireles e Vívia Lima

A sexta-feira amanheceu mais triste e com a sensação de mais insegurança para moradores e comerciantes da Avenida Costa e Silva, no Bairro São Pedro, Cidade Alta. O proprietário de um conhecido bar na via, altura do número 2.507, foi esfaqueado e golpeado com garrafadas durante assalto, por volta das 2h, no momento em que fechava o estabelecimento comercial, que integra o programa Rede de Comerciantes Protegidos da Polícia Militar. O homem de 61 anos foi surpreendido por dois ladrões, que entraram no bar por um portão lateral de acesso à casa do comerciante. Primeiro o proprietário foi ameaçado e depois agredido. Ele ainda teria tentado desarmar os intrusos, mas não conseguiu.

Os criminosos, que usavam toucas ninjas, levaram o comerciante para o interior do estabelecimento, onde ele foi golpeado com uma facada no abdômen por um dos bandidos. Em seguida, o outro ladrão se armou com uma garrafa de cerveja e bateu com ela no rosto do homem.
Logo após o assalto, o proprietário do bar ligou para sua irmã, que o levou para UPA de São Pedro. Na unidade, foi constatado que, além da perfuração na barriga, ele sofreu um corte no lado esquerdo do rosto, sendo necessário transferi-lo para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde passou por cirurgia. Até o fechamento desta edição, segundo informações da Secretaria de Saúde, o paciente estava em estado grave, sedado e entubado. Os criminosos fugiram com R$ 500 e não foram localizados.

Tristeza na Cidade Alta

Nas casas e nos estabelecimentos comerciais nas imediações do bar, que permaneceu de portas fechadas nesta sexta-feira, o clima era tristeza pela violência praticada contra um morador e comerciante antigo do bairro. Vizinhos lamentaram o aumento de casos de assaltos registrados na região. No último dia 28, por exemplo, uma adolescente foi agredida após se negar a entregar seu celular a dois ladrões, por volta das 21h, também na Avenida Costa e Silva.

A garota informou que seguia acompanhada por outra pessoa, quando a dupla passou por ela e viu o celular em suas mãos. Os assaltantes retornaram e anunciaram o roubo. Como ela não entregou o aparelho, um dos ladrões a segurou pelo braço e deu uma rasteira em sua perna. A adolescente caiu no chão, e os criminosos roubaram o celular.

Comércio fecha porta mais cedo

Uma medida encontrada entre os comerciantes que não querem correr riscos é fechar as portas mais cedo. “Fechávamos às 20h30, mas a partir de hoje (sexta-feira) vou fechar às 18h. Já fomos assaltados cinco vezes. Numa delas, entraram aqui armados e ameaçaram me dar um tiro na cara. Está ficando difícil de trabalhar”, afirmou o dono de uma mercearia, José Rocha, de 57 anos. Ele disse que a maioria dos casos de roubos está relacionada com jovens e adolescentes que roubam para comprar drogas. “A polícia passa aqui o dia inteiro, mesmo assim a situação é complicada, pois os bandidos não estão nem aí.” Na barbearia, que já foi alvo de arrombamento, diversas trancas foram instaladas na porta. “Trabalho aqui há 69 anos, e o cenário está piorando. Eu fecho às 18h. No caso do bar, que trabalha de madrugada, o risco é maior”, comentou o barbeiro Pedro Ivo.

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Numa loja de bateria de veículos, o proprietário contou que nunca foi assaltado, mas tem preocupação e já adota algumas medidas de segurança. “Não deixamos dinheiro guardado aqui. Meu estoque fica na minha casa e sempre damos preferência às vendas no cartão”, advertiu o dono do estabelecimento, Daniel Cedrola. Ainda conforme ele, o horário de fechamento também diminuiu para as 18h devido ao medo. “Estamos sempre de olho em motocicletas em atitudes suspeitas e costumamos ficar mais do lado de fora do estabelecimento como forma de precaução”, observou Daniel. Já na farmácia, que já foi assaltada, o proprietário, Avanildo de Paiva, instalou câmeras com objetivo de intimidar. “Tinha havido uma trégua, mas agora os casos voltaram a acontecer e precisam de mais atenção. O que aconteceu no bar foi muito grave, pois a vítima é conhecida, de uma tradicional família aqui do bairro”, afirmou, acrescentando que também não fica de portas abertas até tarde.

PM apresenta queda roubos contra pedestres

O assalto violento ocorreu numa avenida que integra a Rede de Comerciantes Protegidos, programa que tem por objetivo firmar ainda mais a proximidade entre a Polícia Militar e a comunidade, a vigilância constante e a cumplicidade entre os estabelecimentos. No entanto, não foi possível evitar o assalto que ocorreu durante a madrugada. A violência empregada pelos assaltantes chamou atenção do comandante da 99ª Companhia da PM, capitão Erick Leal Lopes. Ele afirmou que as equipes têm incrementado o patrulhamento na área comercial do bairro e, com as ações preventivas, têm conseguido diminuir significativamente índices violentos.

Dados repassados pelo capitão apontam queda de 20 casos de roubo contra pedestres em 2017, quando se compara o período de fevereiro a junho com o ano passado. Em 2016, foram 70 registros contra 50 este ano. “Atribuímos a queda ao patrulhamento preventivo, às visitas periódicas e à relação de proximidade que criamos com os proprietários destes estabelecimentos”, ressaltou o militar. Quando se trata de assaltos ao comércio, o capitão afirmou que foram, no máximo, três registros neste ano, acrescentando que “os criminosos estão cada vez mais ousados. Percebemos que em 90% dos casos, eles são contumazes, já foram presos, mas, logo que adquirem liberdade, retornam para as ruas e praticam os mesmos delitos”.

De acordo com o comandante, os autores do crime no bar ainda não tinham sido identificados até o fechamento desta edição, apesar das buscas estarem sendo feitas desde a madrugada, quando o crime ocorreu. O caso foi encaminhado para apuração da Polícia Civil.

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