Alunos dinamarqueses visitam Museu Mariano Procópio

Com olhos curiosos, encantados e atentos, 19 alunos dinamarqueses do colégio Mariagerfjord Gimnasium desembarcaram nesta quarta-feira (15) no Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. O grupo está no Brasil por meio de um convênio com o Colégio João XXIII, da UFJF, que possibilita que alunos dinamarqueses e brasileiros, do ensino médio, troquem experiências. Em […]

Por Michele Meireles

15/02/2017 às 19:59hs - Atualizada 15/02/2017 às 20:05hs

Grupo visitou o Museu na tarde de quarta-feira (15) (Foto: Marcelo Ribeiro)
Grupo visitou o Museu na tarde de quarta-feira (15) (Foto: Marcelo Ribeiro)

Com olhos curiosos, encantados e atentos, 19 alunos dinamarqueses do colégio Mariagerfjord Gimnasium desembarcaram nesta quarta-feira (15) no Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. O grupo está no Brasil por meio de um convênio com o Colégio João XXIII, da UFJF, que possibilita que alunos dinamarqueses e brasileiros, do ensino médio, troquem experiências. Em setembro do ano passado, os alunos juiz-foranos visitaram a Dinamarca.

Os estudantes estrangeiros têm no currículo uma disciplina de Ciências Sociais na qual estudam o Brasil e veem no país futura potência econômica e um local de outras possibilidades. Eles permanecerão aqui por duas semanas. “Todos visitaram as salas do Colégio João XXIII e puderam dissertar sobre a cultura dinamarquesa. Nossos alunos começam a perceber outras leituras de mundo e diferenças culturais. A partir disso, pensam em possibilidades de mudanças. Algumas agências de pesquisas colocam a Dinamarca como país de menor corrupção mundial, de qualidade de vida superior a muitas regiões européias e apontam para nós tais possibilidades”, afirma o diretor de ensino do João XXIII, José Luiz Lacerda, reiterando que eles têm um olhar de entendimento com relação ao Brasil. “Não fazem críticas ao nosso sistema e tentam entender a realidade vivida aqui.”
O grupo chegou ao Rio de Janeiro dia 9 – em um período conturbado com relação à segurança do estado – mas, conforme Lacerda, mantiveram costumes como andar de bicicleta e passear na orla da praia. Na ocasião, eles conheceram também a favela da Mangueira. “Perceberam os contrastes existentes no Brasil, a vida urbana, e disseram levar daqui uma imagem melhor do que é noticiado por lá”, afirmou Lacerda.

Com olhos azuis e cabelos muito claros, Jeppe Dalby, de 19 anos, inicialmente sentiu-se desconfortável por ser diferente fisicamente dos brasileiros. Contudo, há seis dias no Brasil, diz já ter se ambientado. Ele ressaltou as belezas de Copacabana, apesar de muito lixo nas ruas cariocas. O aluno contou a experiência cheia de contrastes, como a temperatura, o relevo, e, principalmente, a diferença social. “Na Dinamarca as pessoas têm casas e não moram nas ruas, é mais igualitário.”

Trajeto
Nesta quarta-feira (15), após uma hora e meia de visita ao Museu Mariano Procópio, iniciada às 15h, os estudantes ficaram encantados com o parque, a arquitetura e a beleza do lugar. Acompanhados de professores, eles foram recebidos pelo novo diretor, Antônio Carlos Duarte. A estudante Ninna Pedersen, 18, destacou a beleza da natureza ao redor, assim como o museu. “Juiz de Fora é bastante diferente daquilo que estamos acostumados. Na Dinamarca não há árvores tão grandes e tanto verde espalhado. Por lá também não vemos morros, como aqui no Brasil.”

O percurso teve início no parque do museu, quando os estudantes seguiram em caminhada para a Vila Ferreira Lage, onde foram apresentados a mais de um século de história. Por causa das obras, eles só puderam entrar na galeria Maria Amália, que possui duas salas anexas e onde estão 234 esculturas. A exposição “O esplendor das formas” apresenta coleções contemporâneas ao segundo império brasileiro e peças de diversas civilizações.

O professor dinamarquês responsável pelo grupo, Christian Larsen, classificou a experiência de visitar o Brasil como maravilhosa. Sobre o museu, ele afirmou que conhecer sobre o período imperial contribui para entender a formação da sociedade brasileira. “Intercambiar informações culturais e pessoais é muito interessante, acredito que para ambas as partes. Apesar das dificuldades de vida existentes aqui, as pessoas nos receberam muito bem, com carinho”, disse.

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A experiência é nova também para o diretor do Museu Mariano Procópio, que recebeu, pela primeira vez, visitantes de outro país. Antônio Carlos Duarte salientou a importância de contar a história do Brasil, de Juiz de Fora e do museu para além das fronteiras. Questionado sobre a reabertura, Duarte informou que as construções do local são muito específicas e, ainda, não há prazo para que isso ocorra. “A restauração tem seu próprio tempo. Aqui é uma caixinha de surpresa, pois não se sabe o que há por debaixo dessa tinta. Assim, os segredos antes guardados se revelam. Minha prioridade é tornar toda essa obra conhecida, especialmente para a população juiz-forana.”

Programa

Desde 2015, alunos brasileiros e dinamarqueses passam pela experiência de intercambiar informações. A iniciativa acontece por meio do Programa de Intercâmbio Internacional (PII-João), da Diretoria de Relações Internacionais da UFJF (DRI), em parceria entre a universidade e o Colégio Mariagerfjord Gimnasium, da cidade de Hobro. Eles ficam hospedados em casas de famílias e fazem o caminho inverso, passando pela mesma experiência na Dinamarca.
Em Juiz de Fora, os estudantes foram recebidos no Anfiteatro das Pró-Reitorias pela vice-reitora Girlene Silva, pela diretora de Relações Internacionais a UFJF, Bárbara Daibert, e pela diretora-geral do Colégio João XXIII, Andréa Vassalo Fagundes. O diretor de ensino do João XXIII, José Luiz Lacerda, destaca que este intercâmbio é uma oportunidade única para a educação, assim como para o colégio. Para participar do programa, os alunos precisam ter boas notas nas disciplinas, conhecimento em inglês e envolvimento em projetos desenvolvidos pelo colégio. Eles são submetidos a seleção.

 

 

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