Juiz de Fora terá ‘fábrica’ de mosquitos geneticamente modificados

Atualizada às 18h39 Uma “fábrica” de mosquitos geneticamente modificados pode começar a funcionar em Juiz de Fora no mês que vem. O anúncio foi feito na tarde dessa quarta-feira (15), pela secretária de saúde do município, Elizabeth Jucá, durante audiência pública na Câmara Municipal. O objetivo da reunião, proposta pelo vereador Marlon Siqueira (PMDB), era […]

Por Michele Meireles

15/02/2017 às 17:47hs - Atualizada 16/02/2017 às 10:12hs

Atualizada às 18h39

Uma “fábrica” de mosquitos geneticamente modificados pode começar a funcionar em Juiz de Fora no mês que vem. O anúncio foi feito na tarde dessa quarta-feira (15), pela secretária de saúde do município, Elizabeth Jucá, durante audiência pública na Câmara Municipal. O objetivo da reunião, proposta pelo vereador Marlon Siqueira (PMDB), era expor as ações de combate à dengue adotadas pela Prefeitura no ano de 2016 e anunciar as estratégias de prevenção contra a dengue, a chikungunya, o Zika vírus e a febre amarela neste ano. Até essa quarta-feira, o município tinha 31 casos de dengue notificados em 2017.

Os mosquitos são gerados em laboratório, em uma espécie de “fábrica”. Os ovos do Aedes aegypti recebem uma microinjeção de DNA com modificações nos genes, que não permitem que os descendentes dos mosquitos gerados cheguem à idade adulta, além de permitirem que os sexos dos insetos sejam identificados quando expostos a uma luz. Assim, apenas os machos são liberados no meio ambiente. Eles procriam com as fêmeas selvagens, transmissoras das doenças, e elas geram descendentes que morrem antes de chegar à idade adulta, reduzindo a população dos insetos. O projeto já foi testado em Piracicaba (SP), em Juazeiro e Jacobina, ambas na Bahia.

Segundo a Secretaria de Saúde, o projeto-piloto de mosquitos geneticamente modificados deve ser lançado no fim de março ou início de abril, e está sendo trazido para a cidade por meio de uma parceria da pasta com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur). “Como a dengue é um assunto muito importante, nos unimos para esse enfrentamento, em busca de algumas soluções inovadoras. Trouxemos esse projeto para Juiz de Fora e vamos estudar para tentar lançá-lo já no início de março. Vamos trazer esse mosquito geneticamente modificado apenas para as áreas da cidade que estiverem com risco alto de proliferação, de acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa)”.

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Ainda de acordo com Elizabeth, a expectativa é de que a fábrica onde os mosquitos serão criados gere empregos na cidade. “Possivelmente a unidade vai ser uma das fábricas do Sudeste do país. Acreditamos que a iniciativa será muito bem-sucedida. Com o projeto, que teve 90% de sucesso em Piracicaba (SP), a chance de diminuição da dengue é de 99%”. A secretária destacou que, a princípio, os mosquitos seriam soltos em três áreas da cidade.

Outra informação divulgada durante a audiência pública é a data do próximo Liraa. De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, um novo levantamento será realizado em março.

 

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