Missionários viajam para o Haiti para ajudar população

Embarque do grupo será neste domingo e conta com presença de Dom Gil

Por Renan Ribeiro

16/07/2017 às 04:00hs - Atualizada 17/07/2017 às 13:30hs

 

Unidos pela solidariedade:  Marina,Myria Isabel,  Willian José, Wilmar e Ana Maria (Foto: Felipe Couri)

Retificada às 13:27*

Com viagem marcada para este domingo, dia 16, cinco  integrantes da Comunidade Jovens Missionários Continentais (JMC), o arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, e o bispo da diocese de Leopoldina, José Eudes Campos do Nascimento, levam em suas malas muita expectativa e ansiedade. O grupo tem a missão de estudar maneiras de ajudar a população do Haiti, com base nas palavras do Papa Francisco, que reforça a necessidade de a Igreja Católica ser uma “igreja de saída”, com os olhos voltados para as periferias.

“Sensibilizados pela situação social de pobreza e calamidade do Haiti, o país mais pobre das Américas, pensamos em também oferecer a nossa colaboração, porque todos temos que nos preocupar com os irmãos que sofrem. O Haiti representa essa periferia mais pobre sobre a qual o Papa Francisco se refere. Pensamos que Juiz de Fora pode colaborar e, por isso, vamos estudar formas de ajudar, para minimizar o sofrimento desse povo”, explica o arcebispo. Em outubro do ano passado, quando o furacão Matthew passou pelo país da América Central, deixando mais de mil mortos e um surto de cólera e destruição, as paróquias de Juiz de Fora se mobilizaram e conseguiram toneladas de doações para ajuda humanitária.

“Sabemos que há muitas formas de ajudar, seja em ações assistenciais, espirituais, com doação material e até mesmo com a força de trabalho de profissionais como enfermeiros e professores. Lá tem muita gente que ainda passa fome. Pessoas que se alimentam de biscoitos feitos de barro, porque não têm mais nada para comer. Em Juiz de Fora, não temos pessoas que passam por isso. Aqui, até os mais pobres, em situação de rua, recebem assistência e têm o que comer. A própria Igreja disponibiliza pontos em que essas pessoas podem buscar alimentos, tomar banho, cortar cabelos. Ninguém precisa comer biscoito feito de terra na nossa cidade. Queremos sensibilizar a nossa sociedade, para que se una a nós no sentido de acolher os irmãos que estão nessa situação”, detalha Dom Gil.

Jovens levam muita fé e disposição

Formado após a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2013, o grupo de Jovens Missionários Continentais já participou de mais de 40 missões. Entre elas, a iniciativa que levou 12 integrantes à Diocese de Óbidos, no Pará, e ao Bairro Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, que contou com a participação de 28 missionários juiz-foranos. Com disposição, os cinco representantes do JMC usam o tripé composto por oração, formação e missão/ação, além do repertório das missões anteriores, para entender todo o contexto e as dificuldades que cercam a população haitiana.

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“Quando Dom Gil falou da missão no Haiti, não sabia como faria financeiramente ou mesmo me ausentaria do trabalho para estar junto, mas tinha certeza que iria. O que mais me chama a atenção é a miséria com a qual esse povo convive. A minha expectativa pessoal é encontrar Jesus Cristo ao ver o rostos dessas pessoas”, diz a missionária Ana Maria Roberto. Assim como ela, a vocação para chegar a quem mais precisa de ajuda também tocou o casal de aposentados Myria Isabel Carvalho de Araújo e William Câmara de Araújo, da paróquia do Bairro Bom Pastor.

Apesar de algumas barreiras, eles não escondem a animação. “Eu não falo crioulo, nem francês, o que me deixa um pouco apreensivo, mas vou confiando no amor verdadeiro, por meio do qual sei que não teremos problemas na comunicação. Vamos conseguir nos comunicar pelos nossos gestos, nosso sorriso, pela linguagem universal do carinho”, diz William. Para Myria, que fala francês, o mais desafiador será o trabalho pós-missão, já que eles terão a responsabilidade de trazer todo o conhecimento colhido no Haiti e transformá-lo em ação. “Toda vez que saímos em missão, deixamos a nossa zona de conforto. Esse povo perdeu quase tudo em um furacão. Precisaremos nos adaptar, entender o contexto de vida deles, ver as coisas pelo ponto de vista deles.”

Uma angústia que compartilham é sobre como vão deixar a população haitiana quando voltarem ao Brasil, o que deve acontecer até 5 de agosto. A inquietação, no entanto, ao invés de causar uma preocupação, traz mais fôlego. “Temos uma formação contínua. Para sermos uma ‘igreja em saída’, precisamos estar sempre preparados. Sabemos, por exemplo, que há um apostolado que atende cerca de 300 crianças lá. Temos inúmeras possibilidades, esse é o ponto de partida”, indica a missionária Marina Lopes de Assis.

Fim da missão de paz

Diante da previsão de término da Missão de Paz da ONU no Haiti em 15 de outubro, aumenta a responsabilidade desse tipo de ação, de acordo com o missionário Wilmar José Pereira de Carvalho. “Já existe uma aglomeração de pessoas na região da capital, Porto Príncipe. Não sabemos como a situação vai ficar depois que as tropas deixarem o país. Lá, eles enfrentam subnutrição, falta de saneamento e muitas dificuldades em atendimento de saúde também. Tanto que, aos sábados, acontece um grande encontro, e as pessoas só vão, porque oferecem uma refeição. É uma situação muito crítica. Acredito que seja uma obrigação moral de a Igreja olhar por eles”, avalia. A missa de envio dos missionários está marcada para este domingo (16), às 16h, na Capela Nossa Senhora de Fátima e São Cristovão, no bairro Jardim de Fátima.

*RETIFICAÇÃO: Ao contrário do que foi informado em um primeiro informativo pela Arquidiocese, a missa de envio não foi realizada na Matriz de Benfica, e sim na Capela de Nossa Senhora de Fátima e São Cristovão

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