Número dos casos de doença dobra

Regina Machado chegou ao PAM ao meio-dia, mas às 17h não havia sido atendida (MARCELO RIBEIRO/16-02-16)
O número de casos de pessoas com doenças transmitidas pelo Aedes aegypti mais que dobrou em menos de 15 dias. O número saltou de 796, em 3 de fevereiro, para 1.653, conforme último boletim divulgado ontem pela Secretaria de Saúde. Apenas no primeiro dia, o Centro de Hidratação contra a Dengue, localizado no PAM-Andradas, realizou 270 atendimentos. Para serem redirecionados ao local, os pacientes com sintomas da doença devem procurar a unidade de atenção primária à saúde (Uaps) do seu bairro. O tempo máximo de internação na sala é de 48 horas. O paciente também recebe um “kit de hidratação”, com medicamentos preconizados pelo Ministério da Saúde, como soros de reidratação e paracetamol, para a continuidade do tratamento por mais 48 horas em casa.
A Tribuna esteve no Centro de Hidratação, na tarde de ontem, e o encontrou lotado. A mulher de Rafael Teixeira estava com suspeita de dengue e chorava desesperadamente de dor. “Os sintomas começaram no sábado. Fomos ao posto do nosso bairro (Nossa Senhora das Graças), e a encaminharam para cá. Estamos aguardando o atendimento.” Com o surto das doenças relacionadas ao Aedes aegypti na cidade, como dengue, zika vírus e chikungunya, centenas de pacientes estão sendo encaminhados ao Centro. Alguns pacientes afirmam que a equipe não está sendo suficiente para realizar o atendimento de forma ágil. Moradora do Morro da Glória, Regina Machado, 56 anos, chegou ao PAM-Andradas ao meio-dia. Às 17h, ela ainda se encontrava aguardando atendimento. “Estou com suspeita de dengue, com o corpo manchado e dor nas articulações. Fiz exame e estava com plaqueta baixa. Depois de uns dias, fiz exame de novo, e as plaquetas estavam caindo.” Com sintomas do zika vírus, Maurício Gomes, 47 anos, também aguardava atendimento. Ele também estava com as plaquetas baixas. Na família dele, a filha e o genro estão com dengue e também foram ao Centro para realizar hidratação. A Secretaria de Saúde informou que o número de funcionários tem sido suficiente e foi estabelecido seguindo a expectativa de atendimento.
O Centro, que funciona 24 horas por dia, conta com 20 leitos de hidratação acamada, 60 cadeiras para venosa, dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem e dois agentes de atendimento ao público, em cada turno. A previsão é de que o funcionamento seja de 90 dias. Além deste local, haverá outra instalação, na Uaps do Bairro Benfica, Zona Norte, com data a ser definida.
Combate
Outros 70 militares da 4ª Brigada de Infantaria de Montanha juntaram-se à equipe de combate ao mosquito essa semana. Com o reforço, são agora 140 militares atuando em conjunto com os 150 agentes de endemia da Secretaria de Saúde. A ação faz parte do Mutirão de Erradicação de Focos de Proliferação do Mosquito e Descontaminação, organizado pelo Exército. Na segunda e terça-feira, os militares atuaram no Bairro Nova Era, na Zona Norte. O reforço segue até sexta-feira. Além disso, a Prefeitura informou que mais 50 agentes já estão em processo de contratação.
O infectologista Guilherme Côrtes explicou, em entrevista ontem para a Rádio CBN, que as medidas adotadas por Oswaldo Cruz quando erradicou o Aedes aegypti e a febre amarela do Rio de Janeiro e, posteriormente, do país, são as mesmas utilizadas hoje. “Claro que a complexidade urbana aumentou e é muito mais difícil hoje em dia. Porém, é claro que a sistematização dessas medidas não foram consolidadas nas últimas décadas e permitiram o caos atual. Então, eu acho que tem que ter uma política pública muito eficiente em relação às medidas tradicionais que temos para isso, em cada casa.”









