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09 de Abril de 2014 - 06:00

Por RICARDO FROTA DE VASCONCELOS - COLABORADOR

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Os jornais publicaram várias matérias sobre o dia 31 de março de 1964. E há também nas livrarias alguns livros que abordam o mesmo tema. Os jornais se ocupam em publicar somente o lado negativo do golpe ou da revolução de 50 anos atrás. É sabido que houve excessos, ou seja, torturas, prisões, desaparecimentos e outros delitos que não enobrecem em nada os militares, protagonistas desta fase obscura da história brasileira. Mas também houve excessos da outra parte, hoje dominante, como assaltos a bancos, mortes de militares em serviço e outros crimes inaceitáveis. Querem agora mudar o curso da História com a Comissão da Verdade e pensam até em revogar a Lei de Anistia, que trouxe de volta ao país aqueles que se encontravam asilados no exterior.

Há no ar um clima de revanchismo. É necessário dizer que os 21 anos de Governo militar, com generais se alternando no poder, não foram em vão. Um engenheiro agrônomo jovem, Alysson Paulinelli, pôs em prática um projeto de longo prazo que deu certo e que hoje é problema para o Brasil. Com a criação da Embrapa, a agricultura brasileira alcançou níveis de produção de grãos nunca imaginados, e hoje não temos silos, estradas, ferrovias e portos para escoar tamanha produção. Somos hoje o maior produtor de carne bovina do mundo. Na área das telecomunicações, o Brasil vivia num atraso de mais de 30 anos. Um oficial da Marinha, Euclides Quant de Oliveira, pôs para funcionar um sistema de comunicação de causar inveja a muitos países desenvolvidos.

A última reforma no ensino universitário foi elaborada pelo regime militar e vigora até hoje. Cinquenta mil quilômetros de estradas foram pavimentados sem a devida conservação pelos governos que os sucederam. E, mais interessante, nenhum general enviou para bancos estrangeiros dinheiro ganho de forma sub-reptícia. Nenhum general fez embarcar em avião com destino à Europa secretária sem constar na lista de passageiros, contrariando as leis internacionais de aviação com mala contendo 25 milhões de euros para serem depositados em banco português. Hoje vivemos um festival de bolsas de toda sorte.

A mais vergonhosa é aquela para reparar aqueles que por algum motivo foram cassados e que hoje recebem quantias vultosas, pagas com o dinheiro do trabalhador. Para consertar a História, e para que fatos dolorosos não voltem a se repetir, é necessário dar o exemplo, o que não vem acontecendo. Jornais e revistas de grande tiragem denunciam todos os dias escândalos, sendo o mais recente a compra de uma unidade petrolífera nos Estados Unidos, que valia US$ 50 milhões, e a Petrobras pagou por ela US$ 1 bilhão. Seria mais nobre um entendimento entre as partes, e que o Brasil progredisse em paz.

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