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17 de Junho de 2012 - 07:00

Por AZELINO CESAR DE LIMA Professor

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Dizem que relatar a história é um ato difícil de ser realizado. Existiriam três hipóteses para que a fidelidade aos fatos não sofresse arranhões significativos. A primeira seria a circunstância de o narrador ser contemporâneo aos fatos e, portanto, fazê-lo do ponto de vista de um observador privilegiado. Na segunda, por não ser um espectador direto, a história poderia ser narrada a partir do depoimento documental de quem o foi. Na terceira, a mais polêmica, o conhecimento atual dos fatos viria através do depoimento daqueles que dele participaram ou com eles conviveram ao longo dos tempos. A dificuldade maior reside no fato de que, nas três possibilidades, a fonte de informação seria parte direta do processo histórico e, assim, de alguma forma, pode ter interferido sobre ele enquanto parte, mesmo que por omissão.

O relato de uma história requer compromisso formal com a verdade, e esta possui muitas facetas. Três pessoas, quatro verdades: a de quem fala, a de quem escuta e a de quem vê. A quarta, a que restará, talvez seja mesmo a única e decantada verdade absoluta, todavia encerrada em uma divina redoma de vidro, inefável e inacessível aos simples mortais.

Sempre pensei que o contrário de esquecimento fosse lembrança, mas lembrar é um ato pessoal que acontece a partir das verdades próprias de cada um. Ademais, o tempo pode também interferir nas lembranças, pois que, além de pessoal, lembrar é um ato dinâmico que se modifica a cada momento.

Imagine que os cientistas estão desenvolvendo uma máquina do tempo. Porém, no atual estágio, ela só consegue produzir vídeos de realidades passadas. Se a fantástica máquina fosse levada ao Maracanã para produzir um vídeo sobre um momento polêmico de uma partida de futebol e se as imagens fossem submetidas à opinião pública, isto encerraria as polêmicas existentes? Uma verdade absoluta prevaleceria sobre a realidade dos fatos ou essa situação tão somente iria gerar novas polêmicas e nada mais? Então, o questionamento que toma corpo é o seguinte: o que realmente se pretende com a instalação da Comissão da Verdade? Pense sobre isso.

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