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21 de Junho de 2012 - 07:00

Por ISMAIR ZAGHETTO - SOCIÓLOGO E PROFESSOR

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Dizem reconhecidos e populares cultores de experiências etílicas que uma ressaca de verdade, daquelas genuínas, só se cura com uma boa... ressaca. Nada de alka seltzer, sal de fruta, bicarbonatos, panaceias e efusões tantas. Um reluzente e borbulhante copo e lá está de volta o velho e bom equilíbrio. Será? Garantem que sim.

A cultura, no campo das manifestações artísticas, tem andado, dias últimos, por esses caminhos, na verdade nem tão estranhos e muito menos ameaçadores de equilíbrios. A um bom programa, deve seguir-se outro, em ritmo crescente de atração e qualidade. E tome cultura! Uma torrente volumosa, a engolfar-nos em programas imperdíveis. Um labirinto de coisas e compromissos. Difícil acompanhar a corrente. Mais grave, no entanto, é não ir atrás.

Não bastasse a sequência de lançamentos literários, a lotar agendas, revirando nossas melhores raízes culturais, no campo da literatura, abre-se-nos escancarada passarela de eventos, que, somados àqueles em curso, atiça-nos emoções e sensibilidades. Coisa de gente grande, dotada do espírito das Matas Gerais.

Se o marco brilhante dos 90 anos da Semana de Arte Moderna converge para o MAMM da Universidade Federal aguçadas atenções da sensibilidade, a exposição de Gérson Guedes no Espaço Cultural Correios embriaga-nos de prazer estético e revela-nos uma vocação literária que leva a procurar porções maiores entre o poeta e o artista plástico. Não vamos encontrar. Equilibram-se em beleza e qualidade.

Não. Não há tempo para se refazer. Os bonecões de Olinda esperam-nos no Calçadão, agitando, brincando e gritando que à noite teríamos a Banda do Síndico e, na seguinte, a família musical Jair Rodrigues. Tome um copo de água, sente um pouquinho... não muito, porque o Corredor Cultural tem pressa, em seu ritmo de música, de cinema, de tudo. Puro prazer.

E, como ninguém é de ferro, é permitido, sim, respirar fundo e fazer uma pausa no frondoso parque do Museu para ouvir a maravilhosa Orquestra Mário Vieira. Agora, convenhamos, um casal de bailarinos dançando "Por uma cabeça", e o impecável grupo musical atacando de "Garota de Ipanema", para fechar, é até covardia, não?

Sentimento que não chega a durar muito, porque as crianças puxam pelos braços, buscando o Forum da Cultura. "Cadê" elas? Estão com o diretor José Luiz Ribeiro? É bom correr, pois, como os adultos, podem, para retemperar, ter descido a rampa da Santo Antônio, rumo ao Planet, e às imagens, receitas e ladainhas da fotógrafa e jornalista Márcia Zoet. Pano rápido, porque os cariocas do brejo estão entrando no ar, com Flávio Lins, no Espaço Mascarenhas. Ufa!

O cancioneiro popular, porém, já havia ensinado que "nem sempre brilha o sol, também há dias em que a chuva cai", e o inexorável perde-ganha da vida igualmente nos impôs nomes no período de tanto brilho cultural. São perdas irreparáveis, como a de Hermínio Santos, criador do Pró-Música, com a mulher Maria Isabel; despedimo-nos, ainda, de Cleonice Rainho, a escritora maior, além de dar adeus, um triste adeus, à jornalista Nelma Sandra Froes.

Caminhar é preciso. Sempre. Mesmo contando as perdas pelo caminho.

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