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25 de Fevereiro de 2012 - 07:00

Por COMUNIDADE ESPÍRITA A CASA DO CAMINHO

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"Moro num país tropical, abençoado por Deus", canta a criação musical de Jorge Ben Jor. Para nossa reflexão neste quadrículo, é bom lembrar que ser tropical não é privilégio do Brasil, visto que são mais de 30 outros países com tal designação climática, menos ainda ser o único abençoado por Deus, pois não existem privilégios ou privilegiados nas leis de Deus. A cada dia, tem-se tornado mais vulgar o ato de um crescente número de pessoas se julgarem especialmente abençoadas por Deus. Destaque para os jogadores de futebol: "Deus me abençoou, e eu fiz o gol", ou inverso, quando é o goleiro: "Deus me abençoou, e defendi o pênalti". O desconhecimento é de tal monta que pensam que Deus parou as leis do universo para cuidar de seus interesses particularistas e momentâneos. Se Deus abençoa um com a vitória, pune o outro com a derrota? Podemos pensar: sendo assim, Deus tem um time de Sua preferência.

Duzentos anos após Jesus, o Cristianismo era ainda uma ideia nova, uma doutrina nascente, um movimento que se espalhava de maneira obscura e marginal entre as grandes correntes do pensamento greco-romano e os esplendores do império, especialmente entre os sedentos de paz e justiça. Os princípios ensinados por Jesus foram subsistindo entre os subterrâneos das catacumbas romanas, proliferados pelos apóstolos, quintuplicados pelos crentes e tornaram-se silenciosamente grandes o bastante para minar as estruturas do Império inoculando novos horizontes sociais.

Mais alguns séculos de caminhada, e o Cristianismo, em raízes profundas, irrompeu entre as pedras dos muros, anunciando o florescimento de uma nova era. O Império decadente, não suportando as forças renovadoras do Cristianismo, optou por não mais combatê-lo, passando a adotá-lo como ideologia oficial. É nesse momento que aparece a figura do imperador Constantino, iniciando-se com ele a oficialização e, ao mesmo tempo, a deturpação do Cristianismo, deixando a impressão de ter falhado em sua missão, parecendo que, ao invés de transformar o mundo, foi transformado por ele.

Como nos diz Herculano Pires: os princípios do Cristianismo penetraram na estrutura ideológica do mundo greco-romano-judaico como uma força nova - ou melhor, para nos servirmos de uma imagem do Evangelho -, como uma porção de fermento numa medida de farinha. Para levedar a farinha, o fermento teve de se misturar a ela. O que vemos do quarto século em diante é essa mistura. O Cristianismo permanece no mundo como um fermento que leveda a massa das heranças greco-romano-judaicas. O levedo é Jesus em seus exemplos, em espírito e verdade. Realmente, o país, como muitos outros, é tropical e abençoado por Deus como todos os demais o são. A benção não está neste ou naquele, e sim em Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida. Caminho que devemos seguir, verdade que devemos ser e vida que devemos viver.

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