Publicidade

04 de Maio de 2014 - 06:00

Por PAULO CESAR DE OLIVEIRA Jornalista e diretor-geral das revistas "Viver Brasil" e "Robb Report"

Compartilhar
 

Quando fecham um acordo eleitoral, os políticos impostam a voz, fazem caras e bocas de seriedade e juram que os entendimentos foram "em torno de programas e projetos de governo que contemplam os interesses do povo". Os fatos posteriores cuidam de revelar que não é nada disso, que estes acordos não são nada republicanos e que seus patrocinadores vendem a alma, a própria e a de seus companheiros de legenda, em troca do que não se sabe direito.

São tão desmoralizados nossos nobres políticos que, jocosamente se diz que, se um deles pular de um prédio de 40 andares, pode pular atrás. No meio do caminho, tem alguma coisa. Se não tivesse, não pulariam. Pois não foi outra coisa aquilo o que fizeram os políticos da base da presidente Dilma, à frente, Renan Calheiros, ao aprovarem a formação de uma CPI destinada a investigar pelo menos três supostas irregularidades, sem qualquer conexão entre elas. Aprovaram sabendo que cometiam uma irregularidade grave, uma agressão ao regimento interno do Senado.

Isso não é comprometimento programático. Isso tem outro nome. É defesa de interesses pessoais, barganha, jogo de "ganha-ganha". Vendem a dignidade do Parlamento em troca de algum ganho pessoal, que em nada beneficia o partido. Quando agem assim, protegendo malfeitos, os parlamentares - senadores, deputados federais e estaduais e vereadores - mostram submissão, não comprometimento ideológico. Até porque ninguém que tenha um mínimo de seriedade vai assumir compromissos de proteger falcatruas.

E não é outra coisa o que têm feito nossos parlamentares. Mudar isso? Difícil. Esta é uma lata que só se abre por dentro. E quem está dentro não demonstra qualquer interesse em promover mudanças. Por fora, é possível, sim, abrir. É usar a urna. Mas este é um processo longo, que exige conscientização popular, que, por sua vez, depende de educação, que, por sua vez, exige políticas públicas, que, por sua vez, exige compromissos sérios de governantes. Pronto, voltamos para dentro da lata.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você já presenciou manifestações de intolerância religiosa?