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26 de Março de 2014 - 06:00

Por CARLOS MAGNO ADÃES DE ARAÚJO - GEÓGRAFO

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No último dia 22, celebrou-se o Dia Mundial da Água, e, em nossa querida Juiz de Fora, ativistas aproveitaram a oportunidade para promover ações de conscientização e propaganda de suas organizações não governamentais (ONGs). É notável a observação de que o recurso natural e, sobretudo social, mais indispensável à nossa existência seja lembrado tão somente em momentos alusivos a alguma data comemorativa ou em tempos de crise de abastecimento, como revelam as querelas entre os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro acerca da transposição da bacia do Rio Paraíba do Sul, do qual o Rio Paraibuna, que drena Juiz de Fora, é afluente. Em nossa cidade, fundada em 1850 com o sugestivo nome de Santo Antônio do Paraibuna, a questão hídrica foi historicamente secundarizada, e, agora, nos albores do século XXI, finalmente ações concretas estão se materializando, a despeito dos problemas provocados no trânsito e dos transtornos à circulação dos cidadãos em geral.

O tratamento do esgoto lançado in natura no Rio Paraibuna certamente é indispensável à melhoria da qualidade ambiental e de vida dos juiz-foranos. O projeto levado a cabo pela Municipalidade, com recursos de diferentes fontes, visa a tratar, nos próximos três anos, 80% do esgoto do município, cujo tratamento hoje não ultrapassa os 10%! É conhecida da ciência a capacidade de autodepuração das águas, que, embora limitada em função das características dos efluentes despejados, conta agora com uma importante e aceleradora contribuição daqueles que são, indubitavelmente, os maiores responsáveis pela sua degradação.

A captação da água para abastecimento é realizada cada vez mais distante da área urbana do município, a maior consumidora. Além de captar, a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama) trata a água que é levada aos lares, ao comércio e até as indústrias, que têm exigências diferentes quanto à qualidade da água. Isso significa que nós, juiz-foranos, usuários pagantes da água, teremos que desembolsar mais ao longo do tempo pelo acesso a ela, a não ser que façamos de uma data comemorativa como essa uma constante preocupação de cada um de nós, que, munidos de uma consciência crítica e sem cairmos no ativismo oportunista, acompanhemos e cobremos de nossos representantes ações que vão além da retórica e sejam, verdadeiramente, materializações das aspirações mais profundas no que tange à construção de uma cidade na qual cada um de nós se orgulhe de ser um cidadão partícipe.

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