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14 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por IRIÊ SALOMÃO DE CAMPOS - COMUNIDADE ESPÍRITA A CASA DO CAMINHO

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Parado à beira da calçada, de mãos dadas com sua mãe, o pequeno menino chorava dizendo que, mesmo chorando, não se sentia triste com a morte do amigo. Só pensava que, sem ele ali ao seu lado, nada mais poderia aprender. O menino branco falava da falta que sentia do amigo Madiba - para nós, que não desfrutamos de tal intimidade emocional, Madiba é Nelson Mandela. Todos os interessados pelo cultivo da paz interessam-se por Nelson Mandela, não por ter morrido, mas, ao inverso: por ter vivido.

A grandeza de seu legado reside no exemplo que semeou a partir do momento quando entendeu não haver sentido combater a violência do apartheid com o grupo armado "Lança da nação". Mandela chamou para si a responsabilidade do equilíbrio e a busca pela paz para todo seu povo adotando a política e a postura intransigente de "não violência". No cárcere ou em liberdade, enfrentou tudo e todos utilizando uma única arma: a palavra. Disse repetidas vezes, tantas quanto foram necessárias: "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".

Não sei qual religião adotou, e de fato a mim nem importa. Importante mesmo é ver em suas palavras publicadas mundo afora os ensinos de amor, paz, fraternidade e igualdade entre os povos, tal qual ensina o Cristo. Deixou a lança para empunhar a paciência, abandonou o grito pelo exemplo, desprezou a revolta adotando a bondade e a dedicação. Mesmo tendo todo o direito humano de revoltar-se, não o fez. Quem sabe tenha aprendido com Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém". A grande força humana reside na vontade de modificar-se para melhorar o mundo ao máximo que lhe seja possível. Ser forte é não desanimar frente aos embates de sua vida e das pessoas que lhe são caras.

O pequeno menino branco que chorava à beira do meio-fio vai, com um pouco de tempo, aprender que não perdeu o amigo. Ele, Madiba, continua vivo, e seus ensinamentos precisam ser aprendidos para solidificar a paz entre os homens. O menino branco, por ora, apenas ouviu falar. Agora, cabe a ele e aos demais que pranteiam o Mandela cuidar para que seu exemplo não seja em vão.

Jesus, nosso mestre maior, espargiu bondade por todo o planeta, semeou em cada um de nós que o amor sublime é o instrumento indispensável para o encontro à ansiada paz nos nossos corações e no mundo. Madiba entendeu e multiplicou seu aprendizado.

Será ainda necessário sofrer a dor do cárcere para reconhecer as grandezas de Deus? Não precisamos disso; basta deixar o orgulho de lado e seguir os passos daquele que é o caminho, a verdade e a vida.

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