A Manchester Mineira, pioneira na indústria movida à energia elétrica na América do Sul, convive, nos nossos dias, com a triste realidade das gangues da intolerância, do vandalismo e do medo. Juiz de Fora, tradicional centro educacional e cultural do país, está vivenciando dias de cão. As manchetes da imprensa não se cansam de estampar o sangue de nossa comunidade, principalmente de jovens sendo executados, a tiros, em pleno dia e de famílias chorando a perda de seus filhos.
Como se não bastasse a estúpida perda de vidas, a cidade ainda convive com ações generalizadas de pichadores e vândalos de monumentos, muros e fachadas. E até placas de bronze em bustos no Parque Halfeld, no coração de Juiz de Fora, estão sendo roubadas para alimentarem o consumo de crack. A droga barata e mortal toma conta das ruas do Centro à periferia, e pouco tem sido feito para combatê-la, enfrentá-la e inibir o seu uso crescente.
Na última terça-feira, gangues armadas de facas se enfrentaram no Parque Halfeld e no terceiro andar do Fórum Benjamin Colucci, em frente ao gabinete do Juiz de Direito da 4ª Vara Criminal e da sala da Defensoria Pública. Até onde os integrantes dessas gangues acham que podem intimidar a sociedade? Até quando a comunidade juiz-forana terá que conviver com atos violentos e com a ameaça de gangues de jovens sem causa e sem respeito até pela Justiça?
Diante desse lamentável fato, a OAB-JF defende a garantia da segurança no trabalho aos magistrados, promotores de Justiça, advogados, defensores públicos e serventuários da Justiça. A Subseção Juiz de Fora da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais não aceita o aumento da violência na cidade e repudia atos violentos, como os registrados no interior do Fórum, a Casa da Justiça. Por tudo isso, e buscando contribuir para a reflexão sobre a onda violenta que intimida a cidade, além de viabilizar formas de enfrentamento eficaz desta realidade, a OAB-JF, a Câmara dos Vereadores, a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Prefeitura Municipal se juntam para a promoção do "Seminário sobre violência urbana: o que deve ser feito?", marcado para os dias 14 e 15 de março, na sede da Ordem.
Juntos poderemos debater e encontrar alternativas para a superação da insegurança e do medo que rondam Juiz de Fora. A cidade pode e deve reagir à altura das provocações dos violentos e das gangues. A sociedade não pode tolerar mais atos como estes, que tentaram intimidar magistrados, promotores de Justiça, advogados, defensores públicos e serventuários da Justiça. Somente um amplo esforço comunitário poderá inibir e superar o atual momento em que os violentos acham que tudo podem. Basta de violência.



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