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18 de Julho de 2014 - 06:00

Por ANTÔNIO AGUIAR - VEREADOR E MÉDICO

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Volto a utilizar este espaço mais uma vez para falar de um tema que tem sido polêmico entre os leitores e causado celeuma. O projeto que proíbe o uso de água tratada para lavar calçadas - proposta encaminhada por nós na Câmara Municipal -, mas que, diante da necessidade de mais debates, foi retirada, por hora, de discussão.

O debate, porém, deve prosseguir no sentido mais de conscientização do que de punição. No lugar de proibição geral do uso da água tratada para lavação de calçadas, estudamos que a medida seja vetada apenas com o uso de água corrente, no caso, com mangueiras. Acompanhamos cada uma das críticas e os elogios à proposta, afinal, entendemos que um representante do povo deve saber ouvir. No entanto, reiteramos que algumas críticas são feitas em especial pensando no individual, e não no coletivo.

A lei prima pelo bom-senso. Se uma calçada precisa ser lavada porque está suja com dejetos, barro, fezes de animais, etc., não haverá punição. A lavação se faz necessária, obviamente. No entanto, não é o que temos visto em nossas andanças por tantos lugares de nosso município. Muitas vezes, em vez da vassoura para tirar a poeira, vai-se embora a água. O Instituto Akatu pelo Consumo Consciente calcula que, a cada lavagem de calçada, são desperdiçados 310 litros de água. Isso significa que, se 500 mil moradores deixassem de lavar suas calçadas por apenas um dia, a economia seria suficiente para suprir a necessidade diária de água da metade da população da cidade de São Paulo. O mesmo líquido que, em caso de períodos de seca, pode faltar, até mesmo para consumo próprio, na casa de um morador de algum ponto mais alto ou distante da cidade.

Em entrevista no site "Planeta sustentável", o ambientalista Leonardo Lopes de Sousa, do projeto "Cura" - Consumo e Uso Racional de Água -, afirma que a lavagem com água só deveria ser feita para eliminação de algum material contagioso ou de produtos que trouxessem risco à saúde das pessoas. Diz o ambientalista: "Para manter a calçada limpa, é suficiente varrê-la com vassoura. Utilizar água é um crime ecológico". E ele continua: "Nesses casos, deve-se aproveitar a água da chuva ou da lavagem das roupas". Especialistas dizem ainda que lavar a calçada com água corrente é um mau hábito, apontado como um dos campeões de desperdício, juntamente com os banhos demorados.

Algumas cidades já possuem a lei que proíbe o uso da água canalizada para lavagem de calçadas. É o caso de Indaiatuba, Embu-Guaçu e Bauru, em São Paulo. Além disso, no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, deputados discutem um projeto de lei que proíbe o uso de água canalizada para lavagem não apenas da calçada mas também de veículos.

Quanto à forma de fiscalização da lei, criticada por alguns, entendemos que, quando há consciência, a própria população é fiscal de si mesma.

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