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03 de Junho de 2014 - 06:00

Por CARLOS MAGNO A. DE ARAUJO Geógrafo e professor

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O ano de 2014 é singular para o Brasil, haja vista a realização da Copa do Mundo no país que é a pátria de chuteiras, como observou há tempos Nelson Rodrigues. Também é um importante ano eleitoral, que pede respostas nas urnas dos cidadãos brasileiros, bombardeados ininterruptamente com denúncias de corrupção imputadas tanto à situação quanto à oposição política.

Em meio a esses eventos, que ofuscam uma leitura mais ampla da dinâmica do mundo, é celebrado nesta quinta, 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, por ocasião da primeira conferência internacional para o meio ambiente, sob os auspícios dessa instituição, realizada em Estocolmo, na Suécia. Na ocasião, mais de cem países se fizeram representar, além de cerca de 250 organizações não governamentais (ONGs). Ironicamente, a comitiva brasileira - o país era governado pelo regime militar -, na contramão das demandas em pauta, levou cartazes pedindo poluição, pois o que importava, segundo o mainstream, eram dólares para o nosso desenvolvimento. A poluição veio na esteira da abertura ao capital transnacional promovida pelo estado brasileiro. A falsa ideia, hoje desacreditada, de que o desenvolvimento implicava a geração de impactos ambientais negativos era considerada um cânone na época.

Vinte anos depois, em 1992, o Brasil sediaria aquela que seria a maior reunião de chefes de Estado da história da humanidade, a Rio-92 ou Eco-92, como a nova conferência das Nações Unidas ficou conhecida. A noção de desenvolvimento sustentável e importantes documentos como a Agenda 21, que fornece diretrizes aos países do mundo para reduzirem a degradação do planeta, foram gestados no contexto daquele evento, que se repetiria em Johanesburgo, na África do Sul, em 2002 (Rio+10) e novamente no Rio de Janeiro, em 2012 (Rio+20). Essas duas últimas conferências, embora muito importantes, não apresentaram resultados expressivos em função da resistência de muitos países, como os Estados Unidos e a China, de frear seu ritmo de crescimento econômico.

Dois anos se passaram desde a última grande conferência da ONU, e cá estamos nós, divididos entre o coração na ponta da chuteira e os protestos contra a corrupção. Em meio a esse turbilhão, o Dia Mundial do Meio Ambiente é um espectro que ronda o planeta, nos alertando que, sem um ambiente saudável, talvez em breve não tenhamos o que comemorar nem pelo que lutar.

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