Por mais estranho que possa parecer, a presidente Dilma vai acabar sendo beneficiada pelos escândalos que, a cada semana, brotam em seu Governo.
Depende, para usar uma expressão popular, de sua capacidade de fazer dos limões uma bela limonada. Até aqui ela vai indo relativamente bem. Demorou, mas agiu no caso Palocci. Agiu tão rapidamente quanto devia no escândalo no Ministério dos Transportes. No caso do Turismo, a ação da Polícia Federal, cumprindo determinação judicial, mas com o evidente aval do Executivo, foi espetaculosa, com ganhos para ela; mas, no caso da Agricultura, a presidente tem sido, para dizer o mínimo, excessivamente cautelosa.
É até compreensível que ela tenha mesmo que agir sem o ímpeto da ação inicial contra o pessoal do Ministério dos Transportes, que foi rapidamente defenestrado. O ministro Wagner Rossi é do PMDB, da cota do vice Michel Temer, e paralelamente corre o escândalo do Turismo, que também envolve peemedebistas. Mas daí a ficar fazendo manifestações públicas de defesa de acusado vai uma grande diferença. Uma postura de magistrada não lhe fará mal, até porque ninguém sabe que tipo de provas vão surgindo após a colocação das denúncias na rua.
A presidente tem a seu favor o fato de que, nestes episódios, na cabeça do povo, ela tem sido mais vítima do que culpada pelas escolhas dos trapalhões. Para a população, principalmente das classes mais elevadas e média, esta corrupção é resultado da herança maldita de Lula, que assumiu compromissos para Dilma cumprir. Por isso ela tem crédito para, na medida em que os escândalos forem surgindo, ir se livrando deste pessoal e montando sua própria equipe.
Mas que ninguém imagine que ela pode fazer esta transição de uma vez ou de forma atabalhoada. A presidente precisa utilizar energia e habilidade na medida certa. Energia para não ser conivente com corruptos e habilidade para fazer o que precisa ser feito, sem dar espaços para quem, como a cúpula peemedebista, quer fazer dela refém politicamente para assim ocupar ainda mais espaço no governo. Interessante este PMDB que é capaz de se apresentar como vítima nas situações em que, claramente, é o vilão da história.
Dilma já começou a agir, falando "no ouvido em que os políticos escutam". Já passou seu recado de que vai mandar pagar as emendas parlamentares, repassando as verbas para ações indicadas pelos deputados. É através destas emendas que muita corrupção é praticada, mas é importante reconhecer que, em sua maioria, os recursos provenientes delas ajudam muita gente país afora. Um pouco mais de cuidado na liberação, e o problema está resolvido. Distribuem-se recursos e controla-se a base, tirando um pouco a influência das chamadas "principais lideranças", gente que está aí há anos levando vantagem em tudo; ou, como gosta de dizer o deputado peemedebista Newton Cardoso, agindo como gato: "Miando e mamando".



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