Publicidade

15 de Abril de 2014 - 06:00

Por CARLOS MAGNO A. DE ARAUJO Professor de geografia

Compartilhar
 

A ascensão da classe C como a classe social mais numerosa no Brasil deu a milhões de brasileiros, saídos da miséria, a oportunidade de realizar seus sonhos materiais e de se tornarem consumidores. Se, por um lado, esse enorme contingente contribui para o crescimento da economia em função do aumento da demanda de produtos e serviços, por outro, aumenta o consumo de energia e a necessidade de extração de matérias-primas para sustentar o processo. Em uma sociedade de consumo, que prima pelo descartável, o aumento dos resíduos acaba por se tornar um grande problema socioambiental e um grande desafio para os gestores públicos.

No Brasil, três são as modalidades mais comuns de disposição final dos resíduos sólidos, o nosso lixo de cada dia. A mais comum, e mais nociva ao meio ambiente, é alocar os resíduos em lixões, que são espaços a céu aberto e sem proteção do solo, que recebem toneladas de lixo diariamente. Nesse caso, a proliferação de vetores de doenças, como ratos, baratas e formigas, é estimulada. Além disso, urubus, animais domésticos e pessoas disputam os restos descartados pela sociedade de consumo. Os lixões ainda favorecem a contaminação do solo e da água subterrânea pelo chorume, líquido produzido como resultado da digestão por bactérias da matéria orgânica que constitui o lixo.

Uma segunda possibilidade é alocar o lixo em aterros controlados, onde os resíduos são compactados com areia, evitando assim a proliferação dos vetores de doenças. A desvantagem dessa opção consiste na contaminação do solo e da água subterrânea pelo chorume. Finalmente, o lixo pode ser depositado nos aterros sanitários. Esse empreendimento conta com a captação e o tratamento do chorume em estações de tratamento de esgoto (ETEs) e com a compactação do lixo. É a modalidade menos impactante, mas demanda grandes áreas, cada vez mais raras e caras nos centros urbanos, que serão aproveitadas por duas décadas, em média; e envolve a necessidade de uma logística eficiente para o transporte do lixo. Outras modalidades de destinação final dos resíduos, como o envio para a reciclagem e a compostagem para a produção de adubo orgânico, ainda estão engatinhando no Brasil, com exceção das latas de alumínio, das quais cerca de 90% são recicladas.

Juiz de Fora, município que durante a maior parte de sua história descartou seus resíduos em lixões, conta atualmente com um aterro sanitário, localizado na Zona Norte do município. Até recentemente, o lixo era descartado no aterro do Salvaterra, que não opera atualmente. O Salvaterra iniciou suas atividades como um lixão e, depois de já ter contaminado o solo e várias nascentes, foi adaptado e transformado em um aterro sanitário.

Em 2010, foi aprovada a Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que discorre sobre a obrigatoriedade dos mais de cinco mil municípios brasileiros de dar destinação adequada, em aterros sanitários, a seu lixo. Todavia, a realidade financeira da maioria das cidades do país certamente impedirá que a mesma se materialize, pelo menos até 2015, quando expira o prazo estipulado pela lei. De qualquer maneira, é um avanço o fato de contarmos com uma legislação específica sobre uma questão tão séria e, muitas vezes, relegada. Se a legislação for colocada em prática e projetos de educação ambiental forem somados aos esforços por um ambiente urbano mais salubre, com certeza, a sociedade, a biodiversidade e o Planeta Terra, nossa eterna morada, sairão ganhando.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você é a favor da adoção de medidas, como tarifas diferenciadas e descontos, para estimular a redução do consumo de água?