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13 de Julho de 2014 - 06:00

Por LUÍS EUGÊNIO SANÁBIO E SOUZA - ESCRITOR

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Diante daquele apagão que acometeu a Seleção Brasileira no jogo contra a Alemanha, os próprios jogadores, os dirigentes, os jornalistas e inúmeros torcedores ainda se perguntam: o que aconteceu? Pareceu-me inaceitável a conclusão de que "não se pode explicar o inexplicável". Ora, é claro que, mediante uma análise equilibrada e racional, podemos entender o que aconteceu. Muitos quiseram culpar os jogadores pela fragilidade técnica. Será então que somos tecnicamente tão piores que a seleção de Gana, que empatou seu jogo com a Alemanha? Seríamos então inferiores à seleção da Argélia, que exigiu uma prorrogação da Alemanha?

Sabemos que não. Portanto, a goleada que nos tirou a possibilidade do título foi muito incompatível com o perfil técnico das equipes envolvidas. A conclusão é de que o fator técnico não explica plenamente o que aconteceu, e isso mesmo considerando a superioridade da seleção alemã. Eu entendo que, para além da nossa deficiência técnica, um fator psicológico determinou aquele apagão. Refiro-me à perda traumática do Neymar e do nosso capitão Thiago Silva.

Aconteceu que repentinamente os jogadores perderam não apenas um excelente jogador mas perderam uma importante referência que representava a segurança para vencer. O time se viu órfão. O Neymar era exaltado por todos como a cabeça e o goleador da equipe, mas, poucos dias antes de enfrentar os poderosos alemães, os jogadores encontraram esta referência numa cadeira de rodas. Ora, não é preciso ser psicólogo para saber que isso abateu o grupo.

Posteriormente, a Seleção ainda tentou se motivar, mas um trauma não se apaga assim da noite para o dia. Consequentemente, a Seleção entrou perdida em campo, abatida e fragilizada psicologicamente. Estou convencido de que o apagão foi consequência dos traumas sofridos.

Para recordar, temos o exemplo daquele outro apagão contra a França, ocorrido em 1998, em Paris, e que a causa também foi de ordem psicológica devido à convulsão do Ronaldo, horas antes da partida. Contudo, nos últimos dias, poucos falaram sobre este fator psicológico. Por quê? Porque é um fator não palpável, muitas vezes processado até inconscientemente e que acaba sendo de difícil compreensão. Ou seja, as feridas emocionais não são sempre visíveis como as feridas físicas (não aparecem no raio X), mas nem por isso deixam de abalar.

Então, torna-se mais fácil culpar o técnico ou então dizer que a Seleção não quis se empenhar suficientemente no jogo. Claro que não quero omitir aqui o mérito alemão e a nossa própria limitação técnica. Devemos, sim, aprender com a organização alemã e procurar apurar a nossa técnica e a formação esportiva. Contudo, antes de julgarmos a Seleção Brasileira, deveríamos nos perguntar quais foram as condições emocionais com que o Brasil entrou em campo naquela tarde tão dura para nós.

Por fim, afirmo que estou plenamente de acordo com o editorial da Tribuna do dia 10/07 no que tange ao erro daqueles que querem misturar o futebol com a política. Bobagem. O esporte, independentemente das preferências políticas, deve ser valorizado em todas as circunstâncias da vida do país. O esporte estimula inúmeros e nobres valores que precisam ser reconhecidos sempre e por todos!

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