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30 de Março de 2014 - 06:00

Por ISAURO CALAIS Vereador

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Em comemoração ao mês da mulher, a Câmara Municipal de Juiz de Fora fez, na última quinta-feira, a entrega de Menção Honrosa para 19 cidadãs que se destacaram na vida do nosso município. O evento foi capitaneado pela única vereadora do nosso Legislativo, Ana Rossignoli (PDT), que presidiu a comissão. E esse é um ótimo momento para refletirmos também sobre o papel das mulheres em nossa sociedade. Apesar de diversos avanços conquistados, elas ainda são vítimas constantes de violência, principalmente a doméstica, e de preconceito social.

Recente estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que 58,5% dos brasileiros acreditam que "se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros". Absurdo maior é que 65,1% afirmam que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Para os pesquisadores, trata-se de uma evidência clara de que o primado do homem sobre a mulher ainda é bastante aceito pela população do nosso país. Vale lembrar que mais de 60% dos entrevistados eram do sexo feminino. Como se vê, mesmo tendo uma mulher na Presidência da República, os desafios ainda são enormes. Há, sim, um longo caminho para erradicar as diferenças entre homens e mulheres, mesmo com uma queda discreta na desigualdade de gênero, registrada nos últimos três anos.

Nem a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006, causou o impacto desejado na redução de mortes de mulheres decorrentes de conflitos de gênero no país. Dados do Ipea apontam que, anualmente, são registrados 527 mil tentativas ou casos de estupros no Brasil, sendo que apenas 10% são registrados formalmente pela polícia. No mercado de trabalho, além da dificuldade de ascensão na carreira, as mulheres empregadas recebem, em média, salário inferior ao do homem. A divisão do trabalho doméstico também é, na prática, mais favorável ao homem. Dados da Secretaria de Política para as Mulheres do Governo federal mostram que o tempo gasto com as atividades do lar e o trabalho principal totalizava, em 2011, 58,5 horas para as brasileiras e 52,7 horas para os brasileiros.

A ONU já levantou a bandeira contra a desigualdade de gênero e traçou metas para convencer governos a colocar o tema em local de destaque nas agendas políticas. Ações contra a mortalidade materna são uma das prioridades, já que, por dia, morrem quase 800 mulheres diante de complicações ligadas à gravidez e ao parto. É preciso, de forma clara e urgente, colocar em prática um plano mais eficaz de enfrentamento deste problema, para colocar um fim ao preconceito que os homens têm em relação às mulheres; afinal, somos todos iguais e merecemos ser felizes.

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