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22 de Abril de 2011 - 07:00

Por ALEXANDRE SYLVIO V. DA COSTA Engenheiro agrônomo

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A grande discussão dos últimos meses entre os ambientalistas e os representantes do setor agropecuário é o novo código florestal brasileiro. A sua antiga versão, de 1965, foi criada visando à contenção do avanço descontrolado do setor agrícola e pecuário sobre as nossas florestas. Várias questões foram abordadas na lei, como áreas de preservação permanente, reserva legal, uso e manejo dos solos e recursos hídricos, entre outros temas. Mesmo com a promulgação da lei, os desmatamentos e o desrespeito ao meio ambiente continuaram, mas de forma menos intensa devido à possibilidade de fiscalização e multas que geram grandes prejuízos.

A defesa de nossas florestas e matas, ou o que ainda resta delas, é fundamental para um meio ambiente que agoniza a cada dia. A nossa Mata Atlântica foi quase toda dizimada em nome da colonização litorânea. O nosso Cerrado está sendo destruído em nome da produção de carvão para as siderúrgicas, e a floresta tropical amazônica, em nome da agricultura e pecuária, e agora, em nome da produção dos biocombustíveis. Mas será que temos que desmatar mais áreas no Brasil para aumentar a nossa produção agropecuária? O Brasil é líder mundial na produção e exportação de vários produtos agropecuários como café, açúcar, suco de laranja, frutas in natura, carne bovina, suína, frango etc. Cerca de 45% das exportações brasileiras são produtos do agronegócio, e a nossa balança comercial só é positiva por conta do agronegócio.

A importância do Brasil na produção de alimentos no cenário internacional aumentou com a divulgação pela FAO de que o mundo deverá enfrentar, em breve, uma nova crise alimentar por conta da instabilidade econômica e política de alguns países e das nossas alterações climáticas, que têm comprometido parte da produção de grãos pelo mundo.

Por conta dessas informações e do cenário que se desenha no mundo, o país deve, com certeza, investir cada vez mais no setor do agronegócio, afinal, podemos adiar a compra de uma roupa, um sapato ou trocar de carro, mas ninguém pode deixar de comer. Mas será que, para aumentarmos a produção dos setores agrícola e pecuário brasileiro, devemos expandir nossas fronteiras agrícolas, desmatando cada vez mais florestas? Com certeza, não! O Brasil tem tudo que um país que investe no agronegócio precisa para aumentar sua produtividade sem precisar desmatar mais um metro quadrado de floresta. As nossas condições climáticas (sol, calor, chuva) são excelentes, possuímos a maior reserva de água doce do planeta e solos aptos ao desenvolvimento das plantas. O nosso clima permite a produção de várias safras por ano de grãos e o uso intensivo e racional das pastagens.

O país pode dobrar sua produção atual de carne, alimentos e biocombustíveis exclusivamente nas áreas atuais disponíveis. Um dos alicerces para este aumento é o investimento dos setores público e privado no desenvolvimento tecnológico da agropecuária, a sua implementação pelos produtores e a recuperação dos milhões de hectares que se encontram degradados e em processo de desertificação no Brasil devido à exploração irracional. Desmatar mais para produzir, aqui no Brasil, não tem justificativa.

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