Diante das notícias veiculadas pela imprensa local a respeito dos hospitais psiquiátricos de Juiz de Fora, e como administrador e gestor público, seria covardia de minha parte não opinar a respeito.
Trabalhei na Casa de Saúde Esperança, quando foi adquirida pelos atuais proprietários. Naquela época, 2010/2011, a mesma atendia 100% dos pacientes oriundos do SUS, em torno de 200, e recebia uma diária de R$ 43 por paciente para cobrir as seguintes despesas diárias: toda a parte de hotelaria - roupas de cama, toalhas, aquisição de colchões, travesseiros, cinco refeições diárias -, além de medicamentos de uso contínuo e os recursos humanos necessários para a manutenção da Casa, como médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e plantonistas, acrescido de todo o pessoal da administração, tão importante quanto os primeiros na gestão de qualquer hospital que se preze.
Nessa mesma época, o Governo do município, desprovido para tal, necessitava de algum local onde se pudesse internar os menores usuários de droga, principalmente os do crack. A Casa de Saúde Esperança, com todas as suas dificuldades, salvo engano de minha parte, foi o único estabelecimento de saúde que se apresentou para absorver tais menores. Pergunto: qual incentivo recebeu para que isso acontecesse?
Não consigo entender: investiu-se tanto naquela época, em hotelaria, aprovisionamento, recursos humanos, obras, poço artesiano, terapias ocupacionais, modernização dos quadros de funcionários, confraternizações com os pacientes, lavanderia, novos contratos, otimização das despesas... Era clara a resposta positiva dos pacientes quando passava pelas enfermarias procurando um feedback do que se estava fazendo. Nos fins de semana, eu conversava com os familiares, reunia-me com a d. Irene, representante dos familiares dos doentes psiquiátricos, e via que estávamos, a meu ver, no caminho certo e só não fazíamos mais porque o momento não nos permitia.
Realmente fico incomodado com essas coisas. Imagino o leigo, que friamente lê os artigos publicados, o que deve pensar dos donos desses hospitais. Na verdade, publica-se somente um lado da história, esquecendo-se que, para chegar ao ponto crítico, vários fatores estão envolvidos e que precisam ser desvendados e ditos à nossa sociedade. Para mandar internar compulsoriamente um viciado em drogas, principalmente os menores, que crescem avassaladoramente em nossa cidade, basta uma assinatura, mas para custeá-lo de forma digna não aparecem responsáveis. Nenhuma empresa que se preze, em qualquer área, se mantém sem que haja um mínimo de ganho, e os hospitais não são diferentes. Na verdade, deveriam ganhar mais porque lidam com seres humanos, salvam vidas, diminuem o sofrimento e amenizam as dores daqueles que lá recorrem, mas posso lhes garantir que não é o caso dos hospitais psiquiátricos. A eles, a cada dia, mais cobranças são feitas, e menos incentivos lhes são repassados, principalmente o monetário. É bonito e fácil botar "lenha na fogueira", mas ajudar a apagar o fogo é muito difícil, principalmente por parte daqueles que criticam.
Por fim, se esses hospitais ainda existem e continuam recebendo a "migalha" do Estado para se manterem, eu parabenizo os seus gestores, pois estão fazendo mágica, que, por certo, eu não conseguiria.



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