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25 de Fevereiro de 2014 - 06:00

Por JOÃO CARLOS DE S. L. FIGUEIREDO - PROFESSOR E ADVOGADO

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Não queríamos este modelo em que vivemos no mundo ou não queríamos este "modus vivendi" que temos no país? É o que parece, porque não cumprimos nossa obrigação como Estado e nem como cidadãos. Não valorizamos a família, e os clubes estão falindo por falta de frequência dos sócios e filhos, e boa parte destas agremiações está recebendo quinhões de volta ou se transformando em áreas para lojas ou loteamentos. Não temos modelo educacional nem um pouco parecido com o da Coreia do Sul. Não investimos na qualidade e não cuidamos da outra ponta, que é o sistema carcerário, para o reeducando, que não será recuperado, só enjaulado.

Não temos infraestruturas portuária, viária, de ferrovias e aeroportos, e o nosso custo logístico é muito alto. Produtividade e competitividade risíveis. Não achamos errado dar gorjeta para o guarda "livrar a cara" e nem que sonegar imposto seja crime. Achamos correto o linchamento de pessoas que foram flagradas furtando, roubando ou vadiando pelas ruas e não admitimos ouvir a OAB e nem os defensores dos direitos humanos. Largamos os doentes em instituições particulares manicomiais privadas, porque as públicas foram proibidas, mas fazemos prova de vida do parente para continuarmos a receber a pensão, sem nos abalarmos com o abandono emocional. As instituições privadas que existem, por algumas falhas, são fechadas, sofrem intervenções e ficam administradas pelo Poder Público incompetente, desumano e descompromissado. Incoerência com indecência.

Tudo teria que vir pronto das famílias e das escolas, e o Estado é incompetente para administrar educação e penitenciárias, e não há concessões se não for lucrar, mas há soluções evitadas e que exigiriam coragem. Quem lida sabe, mas sem interesse não se contrata para projetar e planejar. Partindo do pressuposto que a nação escolheu promover saúde e educação por sua Carta Federal, e tendo em vista que isto não tem sido possível de realizar com qualidade e que nossas estradas só saíram dos buracos quando foram concedidas, espero que algum dia concedam a educação (com todos os seus prédios públicos) para os empreendedores e para as escolas particulares e que cobrem o valor maior de quem pode, e que recebam todos os outros alunos gratuitamente, aqueles que não tenham condições financeiras, tudo por bolsas integrais. Esta é a cota em que acredito. Concessão, sim, e que venha a qualidade como contrapartida.

Não vejo outra solução. Se alguém tiver uma eficaz e que seja de grande proliferação pelo extenso território, que meta a mão neste caldeirão e opine para que sejamos, enfim, eficazes! Temos que colocar a cara para bater. Já que não somos como os coreanos, que investem em educação por vontade. Já que Cuba inteira era praticamente alfabetizada, desde a época de Fulgêncio Baptista, antes mesmo da revolução, temos que ter alguma atitude aqui. Enquanto não premiarmos o mérito e a competição, não teremos nem Nasa nem MIT. Ficaremos para trás do atrás, neste atraso sem fim, exportando cabeças do ITA para o primeiro mundo. Duvido que teríamos escola municipal, estadual ou federal não pintadas ou pichadas se dessem a administração para quem sabe fazer melhor. Teríamos professores bem remunerados, profissionais e com subsídios por mérito, e assim por diante. Que façam um plano-piloto em PPP e apliquem de vez a LDB original. Não precisaríamos mais de tantas cadeias e teríamos tecnologia e produtividade algum dia. Recomeçar não dá mais, precisamos começar e aguardar 30 anos.

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