Nunca fumei crack, nem tampouco tenho a intenção, mas pelo que os tais especialistas dizem, bastam algumas breves experiências para que o usuário se torne um "escravo" da droga. Não se questiona o sofrimento de milhares de pessoas que tentam recuperar sua autonomia, civilidade e saúde na luta para se livrar de tão maligna dependência: a estas, deve-se prestar toda solidariedade e apoio. Por outro lado, é difícil imaginar que todos os viciados, inescapavelmente 100% deles, sejam vítimas infantis de um sistema perverso, da sociedade cruel, da mão invisível do mercado ou sei lá o quê. Posso estar equivocado, mas não haveria mesmo nem sequer uma minúscula fração de adictos com livre arbítrio?
Mesmo sem duvidar da "epidemia de crack", começo a suspeitar que seja um conveniente recurso retórico para autoridades se esquivarem de sua responsabilidade. Já ouvi muitas vezes a referida expressão, mas não consta que alguém tenha procurado um traficante para conseguir uma dose de H1N1, dengue ou outra enfermidade epidêmica. Quem vê de longe se compadece, preocupa-se e, às vezes, até arrisca uma ou outra teoria de botequim. É, no entanto, de perto que tudo fica complicado. Desconheço a gravidade da crise em Juiz de Fora, embora a suponha; contudo, posso assegurar que, no Bairro Manoel Honório, há centenas de usuários, que fumam a pedra a qualquer hora do dia sem qualquer constrangimento do Estado - alguns deles curiosamente envergonhados diante da presença fugaz dos moradores, por sua vez aterrorizados pelo que possa acontecer.
Desculpando-me pelo título - foi a maneira que encontrei para chamar sua atenção, leitor -, termino sugerindo que não fume crack ou utilize qualquer outra droga. E que pense duas vezes antes de passar pelo Manoel Honório.



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