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03 de Julho de 2014 - 06:00

Por SAGRADO LAMIR DAVID Médico e escritor

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Juiz de Fora foi, é e sempre será prova de que uma metrópole se mede por suas qualidades humanas e culturais, jamais por seu tamanho, mas capaz de transformá-la naquilo que, hoje, chamamos de uma perigosa e ameaçadora monstrópole! E nossa querida cidade, hoje com uma população flutuante mensal de 1 milhão e meio de habitantes, mantém aquela estrutura de alta qualidade no que se refere à saúde, à educação e à segurança de seus cidadãos! Naquilo de outrora, da saudosa e inesquecível década de 1950, lembro-me muito bem, ao lado do grande amigo, Jacob Pinheiro Goldberg, que a cidade já era a terceira maior cidade industrial brasileira, recebendo o apoteótico apelido de Manchester Mineira, mas também chamada de Atenas Mineira e Princesa de Minas, por seu alto nível educacional, com colégios do padrão do famoso Granbery, de orientação metodista, a Academia de Comércio, o Jesuítas, o Stella Matutina, o Santa Catarina, o Santos Anjos, funcionando em clássicos e arquitetônicos prédios.

Além da espetacular UFJF, uma das melhores universidades públicas do país, e numerosas outras faculdades e universidades brasileiras, transformando nossa querida JF num dos maiores centros de ensino do país, procurado até por alunos estrangeiros! Antes disso, porém, na década de 1950, eu, Jacob e outros amigos fazíamos o famoso "footing" na tradicional Rua Halfeld Jacob, de origem israelita, filho do sr. Luizinho, prestamista que tinha seu negócio na Rua Batista de Oliveira, em cima do bar do Maninho, o Bar Acadêmico, e que tinha como recepcionista o meu amigo de infância do Bairro de São Mateus, o hoje famoso escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna, que disputava comigo rapidez em pegar e descer do bonde andando, em que obtive algumas vitórias...

E quantas lembranças do "footing" da Halfeld. Certa vez, eu e Jacob saíamos da Galeria Pio X e vimos várias autoridades descendo a rua, e Jacob apontou-me um e perguntou-me quem era. Respondi-lhe que era Juscelino Kubitschek, ex-prefeito de BH. E Jacob, sempre clarividente, completou: "Será o futuro presidente do Brasil!". E não deu outra, tendo, depois, nos honrado sendo paraninfo da primeira turma da Faculdade de Medicina de JF, em 1958, da qual fiz parte. Os excelentes teatros e cinemas, além de ótimos filmes, sempre estavam abertos para empresas teatrais, como Cacilda Becker, Procópio, além de programas de rádio, como o César de Alencar e Paulo Gracindo!

Cantores famosos, de Chico Alves a Orlando Silva e Silvio Caldas, o que me faz lembrar do saudoso craque Heleno de Freitas, que, em seus últimos dias, internado em Barbacena, tinha liberdade para passar os fins de semana em JF, onde nos tornamos amigos, fazendo caminhadas pela Halfeld e indo juntos assistir a uma peça teatral de famosa companhia carioca. E Jacob e eu, ao lado de inteligentes descendentes de libaneses, sírios, armênios, judeus, italianos e portugueses, vivíamos a poli e democrática cultura juiz-forana, sempre impregnada da alma negra e mulata de muitos de seus respeitados moradores, inclusive indo aprender a dançar, com belas e simpáticas negras e mulatas, no famoso Elite Clube, na parte baixa da Rua Halfeld, onde havia uma integração de causar inveja aos antirracistas de hoje!

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