Publicidade

18 de Março de 2014 - 06:00

Por JORGE SANGLARD - JORNALISTA E PESQUISADOR

Compartilhar
 

Os juiz-foranos de bem esperam que a cidade efetivamente enfrente em 2014 o desafio de diminuir o crescente número de mortes violentas e de tentativas de homicídios e volte a ser segura e pacífica, como é a tradição de Juiz de Fora. E isso é para já. Não podemos esperar mais. Apenas em janeiro e em fevereiro, aconteceram 34 assassinatos, 14 deles no primeiro mês do ano, e outros 20 no segundo mês. Comparativamente aos índices de 2013, o número de assassinatos nesses dois meses foi superior em sete mortes violentas. A banalidade da violência urbana, o desrespeito à vida, a falta de princípios éticos e muito mais podem explicar o porquê de Juiz de Fora assistir, atônita, a esse aumento assustador de assassinatos, principalmente a partir dos últimos meses de 2012 e até os primeiros meses de 2014.

O que mais chama a atenção dos pesquisadores sobre o aumento das mortes violentas é que, até 2000, a cidade mostrava índices relativamente baixos de assassinatos. Em 2001, foram registrados 30 assassinatos na cidade, segundo dados do Datasus do Ministério da Saúde. Em 2002 e em 2003, ocorreram 38 assassinatos. Já em 2004, foram 46 mortes violentas. E, em 2005, aconteceu uma diminuição, com o registro de 28 assassinatos. Em 2006, o número de assassinatos voltou a subir e chegou a 38. Em 2007 e 2008, foi apontado outro aumento no número de homicídios, chegando a 48. E, em 2008, foram registrados 47 assassinatos. Já em 2009, houve uma queda no número de homicídios - 39.

Este número foi ampliado em 2010, quando aconteceram 60 assassinatos, e, em 2011, subiu mais ainda, com registro de 65 homicídios. Mas a partir de 2012, os assassinatos não pararam mais de crescer e foram registradas 99 mortes violentas. Em 2013, a cidade contabilizou nada mais, nada menos que 139 assassinatos. E, se nada for feito de concreto para reverter esses números dramáticos, Juiz de Fora poderá ter ainda mais homicídios em 2014.

A grande maioria dessas mortes violentas ocorreu por disparo de arma de fogo. Das 139 vítimas em 2013, 116 eram homens, sendo que 65 desses eram jovens de até 25 anos, 22 eram adolescentes, e somente 13 eram mulheres entre 26 e 48 anos de idade. Também no ano passado, a Zona Norte foi a região mais violenta, contabilizando 46 assassinatos, seguida da região Sudeste, com 39 homicídios. A região Leste ficou na terceira posição, com 25 assassinatos.

Há um ano, em março de 2013, a realização do "Seminário sobre a violência urbana em Juiz de Fora: o que deve ser feito?" mobilizou amplos setores da comunidade e iniciou o debate sobre como reverter o quadro de aumento da violência. Articulações entre a Câmara Municipal, a Prefeitura, a Subseção Juiz de Fora da Ordem dos Advogados do Brasil, a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Instituto Vianna Júnior acabaram possibilitando que a UFJF abrigasse o Laboratório de Estudos da Violência em Juiz de Fora, e, além disso, as entidades em questão, junto com representantes da Polícia Civil e da Polícia Militar, estão empenhadas na elaboração de um Plano Municipal de Enfrentamento da Violência, a ser lançado pela Prefeitura.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você já presenciou manifestações de intolerância religiosa?