Publicidade

11 de Julho de 2014 - 08:18

Por GERALDO RIBEIRO DE SÁ - PROFESSOR

Compartilhar
 

Matéria publicada pela Tribuna, em 02/07/14, na página 3, feita por Daniela Arbex, referente ao covarde homicídio precedido de tortura cuja vítima foi Wendel, filho de dona Iraci, despertou nossa reflexão para os pontos seguintes.

A sessão de tortura que provocou a morte de Wendel foi praticada por três colegas da cela 12, na qual se encontravam mais de dez presos. Dos colegas de uma cela carcerária sempre se esperam atos de solidariedade, como amparo, atenção, ajuda mútua, entre outros, pois todos se encontram sob as mesmas condições desumanas, mas, naquela noite, as forças do egoísmo e da maldade prevaleceram sobre as demais. Três detentos, covardemente, transformaram-se em lobos do seu semelhante, eliminando assim a vida de seu irmão de cadeia, e, no caso, do mais fraco. Os demais colegas, que assistiram aos atos de crueldade, seguidos da morte já anunciada, obedeceram a uma das mais perversas regras de qualquer prisão, a "lei" do silêncio, criada pelos próprios internos: "Ninguém vê, ninguém ouve e ninguém fala, porque se falar morre também".

A tortura e o assassinato de Wendel, praticados pelos próprios presos, aconteceram em 2003, há quase 11 anos, entretanto, dona Iraci ainda não recebeu a indenização à qual tem direito, o que comprova mais uma vez a lentidão do Poder Judiciário em atender às demandas do cidadão. A indenização não devolverá Wendel à sua mãe, mas moralmente ela se sentirá em parte recompensada por seu longo e sofrido combate em busca da justiça.

A luta pela justiça, empreendida por dona Iraci, e, com certeza, por muitas outras mães e familiares de presos, vem produzindo muitos outros efeitos. O Ceresp, no qual Wendel foi torturado e assassinado, posteriormente passou por várias mudanças, provocadas a partir da criação da Seds - Secretaria de Estado de Defesa Social -, criada no mesmo ano do trágico homicídio. Entre estas mudanças destacam-se o sistema de segurança e o de atendimento ao preso. A segurança interna e a externa à instituição são feitas por agentes penitenciários, formados e treinados para esse fim, ainda com número satisfatório de agentes para garantir uma estreita vigilância às galerias, durante as 24 horas do dia. No atendimento, distingue-se o escritório da OAB, em que advogados e estagiários, permanentemente, prestam assistência jurídica aos presos.

Embora o Ceresp ainda padeça de todos os males inerentes à superpopulação, 950 presos, ocupando 332 vagas, possivelmente, hoje, um presidiário como Wendel terá mais chance de aguardar com vida a conclusão de seu julgamento pelo Poder Judiciário.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que o resultado do PIB nos dois últimos trimestres vai interferir no resultado das eleições?