A grande preocupação do Banco Central é o problema que assolou vários inícios de mandatos ao longo da história da economia brasileira, pois Dilma herdou de Lula a alta da inflação. No Governo Lula, as coisas já tinham tomado um rumo diferente do que se esperava para o ano de 2011.
Alexandre Tombini, que assumiu a presidência do Bacen em janeiro deste ano, assumiu também um grande desafio: convergir o índice de inflação (IPCA, utilizado pelo Governo como índice oficial para a prática das políticas monetárias) para o centro da meta, que é de 4,5% ao ano. De acordo com o regime de metas para inflação, o BC trabalha com uma margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Muitos especialistas veem o centro da meta como algo impossível para 2011. O próprio Banco Central, através do Boletim Focus, aumenta a cada semana a expectativa do índice para o ano.
A verdade é que a meta central virou piso. A expectativa do Governo para 2011 é não alcançar o teto de 6,5% a.a.. Toda essa aceleração no nível de preços se deve a uma demanda por produtos e serviços muito forte no país, provocada pelo aumento de crédito tanto para pessoas físicas e jurídicas, quanto por quedas históricas nas taxas cobradas pelos empréstimos ao consumidor. Tal aceleração foi acompanhada pelo último Governo, pois, já em dezembro do ano passado, houve aumento dos depósitos compulsórios para os bancos, tirando moeda de circulação, o que tende a diminuir os níveis de preços.
Esse problema da alta na inflação ficou para o novo Governo. Nas duas primeiras reuniões à frente do BC, Tombini e os diretores do Copom decidiram aumentar a Selic em 0,5 p.p. em cada reunião. Não felizes ainda com as expectativas do mercado e a trajetória do IPCA, assumiram, através da ata do Copom, que novas medidas macroprudenciais poderão ser utilizadas pela autoridade monetária para evitar futuros aumentos na Selic, assim como foi feito no fim do ano passado com o aumento do compulsório. Tal medida representa uma nova ferramenta na condução da política monetária do país.
A alta da inflação não pode ser combatida só com sucessivas altas na taxa de juros. Esse incômodo na atual conjuntura econômica do país, e que compromete o crescimento, pois não se tem notícias de que um país consiga ter um PIB forte aliado a uma inflação alta, só será resolvido com a expansão da oferta e a elevação da produtividade dos meios de produção, através de melhoras na infraestrutura, no quadro institucional e na educação.



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