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16 de Janeiro de 2013 - 07:00

Por JOSÉ LUIZ BRITTO BASTOS Mestre em engenharia de transportes

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Juiz de Fora, no que se refere às questões pertinentes a transporte e trânsito, tem sido muito conservadora. Nota-se que, por parte de certas classes profissionais, há certa resistência à adoção de novos projetos destinados a atender, de forma eficaz, as demandas de seus quase 600 mil habitantes. A acomodação do passado e a inércia do presente são certamente entraves para o futuro da mobilidade e da acessibilidade urbana.

O crescimento desordenado e sem planejamento das cidades com mais de cem anos de existência tem sido causa de afetação das condições da mobilidade do tempo presente. O trânsito requer sempre atenção especial por parte dos administradores públicos. As intervenções, que se fazem necessárias, somente ocorrem quando há vontade política, recursos financeiros e, sobretudo, coragem por parte do gestor público. É fundamental investir na concepção e realização de projetos que contemplem a implantação de novos corredores viários, capazes de atender às crescentes demandas geradas pelo crescimento populacional, comercial e pela explosão da frota veicular, principalmente considerando que, no país, o transporte privado é alternativo às péssimas condições do transporte público ofertado às massas.

Nas cidades mais antigas, com raras exceções, os centros comerciais, de um modo geral, tanto geram quanto atraem viagens. Juiz de Fora se inclui entre estas. Aqui, o sistema de transporte coletivo público, invariavelmente, destina-se ou passa pelo Centro da cidade em direção a outras regiões. Na cidade, em média, são transportados 340 mil passageiros, em 592 ônibus, que fazem seis mil viagens/dia. Os números e a forma pela qual são feitos esses deslocamentos demonstram que dispomos de um sistema ultrapassado, impontual, desconfortável, que, além de não atender satisfatoriamente à demanda, entope as vias, afetando negativamente a mobilidade urbana.

De um modo geral, a situação atual indica que a cidade, sob esses aspectos, não avançou o necessário e requer, com urgência, investimentos em projetos viários que contemplem a implantação de novas vias (radiais, diametrais e perimetrais), assim como um novo sistema de transporte, quem sabe, optando pelo sistema de BRTs ("Bus rapid transit") e/ou de VLTs ("Veículos leves sobre trilhos"). Este último modal, projetado para ser implantado na cidade do Rio de Janeiro, é uma alternativa recomendável de transporte de média capacidade, muito utilizado em áreas centrais de cidades europeias. Em complementação, acreditamos, de bom alvitre, incluir nesses projetos a instalação de uma rede cicloviária, assim como incentivos às caminhadas a pé para pequenas distâncias. Isto seria investir em qualidade de vida, devolvendo à cidade as condições ideais merecidas pelo seu povo, com certeza, uma maneira eficaz de recuperar o tempo perdido.

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