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13 de Maio de 2014 - 06:00

Por JOSÉ RICARDO GUIMARÃES -BANCÁRIO APOSENTADO

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Duas notícias estão atualmente muito afeitas à mídia, e, entre elas, aparentemente, não existe nenhuma ligação, mas em ambas tem-se desviado o foco dos verdadeiros responsáveis. No caso da mulher que foi linchada, vejo pessoas reclamando da página do Facebook que, ao publicar o retrato falado (feito pela polícia) de uma possível "bruxa" que usava crianças em sessões de magia negra, teria incentivado o crime.

Sinto muito, mas, se a polícia divulga um retrato falado, não vejo por que não reproduzi-lo como forma de ajudar a Justiça a encontrar um(a) criminoso(a). O que não se justifica é a sanha criminosa da turba que sacrificou uma inocente - se havia alguma suspeita, ligassem para a polícia, em vez de fazerem justiça pelas próprias mãos.

Quanto às mortes sobre os trilhos, o culpado é sempre o defunto: de vítima passa a ser o culpado. Em qualquer empresa, pública ou privada, cabe à ela a responsabilidade sobre suas operações. A MRS, como concessionária de transporte, tem obrigação de evitar os acidentes nos trilhos - que, diga-se de passagem, são de uso exclusivo da mesma - e proteger o cidadão, em vez de, com tapumes e muros, dificultar seu direito constitucional de ir e vir.

Alguns sugerem a transposição dos trilhos para fora da cidade, mas isso só adiaria o problema, pois a cidade cresce. Talvez (não sou especialista no assunto) o melhor, e mais barato, seria fazer o rebaixamento da malha no percurso, mas, enquanto não se consegue ou não sendo isso viável, é obrigação da empresa evitar os possíveis acidentes, seja colocando guardas nas passagens de nível (uma vez que ela é a única que detém os horários dos trens), aumentando as barreiras físicas/sonoras/visuais (se as barreiras que existem não estão conseguindo evitar os acidentes, é porque são falhas ou insuficientes) ou, ainda, diminuindo ainda mais a velocidade das composições no momento em que as máquinas ultrapassam o vão de passagem, aumentando-a a partir daí.

Se não atentarmos para os verdadeiros responsáveis/culpados, continuaremos a ver, dias e mais dias, estampadas nas páginas dos jornais e nas telas de TV essas trágicas mortes anunciadas.

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