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23 de Janeiro de 2013 - 07:00

Por SAGRADO LAMIR DAVID Escritor

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Santo Deus! Após as declarações estupefacientes de "nosso" ministro da Justiça, ilustre senhor José Eduardo Cardozo, de que preferiria morrer a ser preso em "nossos" infectos, insalubres - moralmente, inclusive! - presídios, que estão sob sua responsabilidade operacional, vem logo a notícia de que - até que enfim! - teremos a inauguração do primeiro presídio privatizado em território brasileiro! Justamente em Ribeirão das Neves, cidade apelidada de "Ribeirão das Trevas", pois já aloca quatro presídios públicos! Justamente numa associação público-privada, dentro da parceria do PCC - perdão... PPP!-, vamos associar a impunidade pública - ou é nossa?!- com a imoralidade privada - do lucro a qualquer preço -, nesse Brasil onde já se banalizou o crime e se cristianizou - perdoe-nos, Jesus Cristo! - o lucro material, doa a quem doer!

Se chamássemos o caro Murphy ao Brasil, para enfocar tal associação, repito, do crime banalizado com a cristianização do lucro material, e lhe pedíssemos para opinar, tenho a certeza de que apenas repetiria seu célebre e já universal dito filosófico, que afirma: "de onde menos se espera é que... nada acontece". Mas, como concluí, por experiência própria, que, mais do que a esperança, a curiosidade é a última que morre, vamos esperar para ver o que acontecerá! Coragem, Ribeirão das Trevas... Perdoem-me, das Neves! Acredito que, se não estivéssemos nesse Brasil em transição entre o certo e o errado, entre o "legal" injusto e o justo "fora da lei", onde prevalece a lei do mais forte - leia-se "empresários", "banqueiros" e traficantes -, onde a própria instituição policial tem se confrontado com a corrupção entre aqueles que deveriam combatê-la, onde o chamado setor público das cadeias só nos mostra ladrões de galinhas, "habitando" xilindrós lotados - o que eles mostram quando estendem as mãos e dedos, abrindo e fechando, evidenciando a superlotação de pobres seres humanos, mais vítimas da falta de oportunidades do que de qualquer genética criminosa -, só posso terminar lhes perguntando: há sinceridade social e humana em tudo isso? Ou - pior ainda - quando conseguiremos dissociar essas "maravilhosas" PPPs dos infernais PCCs que nos ditam regras que só nos mostram que estamos na contramão da verdadeira democracia? Espero que o futuro fale melhor do que o presente!

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