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14 de Maio de 2014 - 06:00

Por MARIO LUIS MONACHESI GAIO Doutorando em estudos de linguagem pela UFF

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O tom crítico da frase indica a reação de muitas pessoas a já quase imprescindível necessidade de se estar conectado ao mundo através da internet. Sugere que muita gente, embora em companhia de pessoas fisicamente presentes no mesmo ambiente, costuma ter olhos somente para seus aparelhos que lhes permitem estar on-line. Imagina-se que essas pessoas estejam perdendo o prazer de uma conversa "ao vivo". Verdade ou exagero? Embora a internet seja de domínio público há mais de 20 anos, ela se popularizou no século XXI. Estamos somente na sua adolescência! Paralelamente, o desenvolvimento tecnológico nos tem permitido usufruir das vantagens e desvantagens da grande rede através de simples aparelhos de telefone celular.

O Wi-Fi é quase onipresente, e as operadoras de celular nos fornecem a conexão 3 (ou 4) G com relativa facilidade. Em vez de criticar o uso aparentemente excessivo desses recursos de comunicação, prefiro refletir sobre o que está acontecendo. Tenho observado que ninguém deixa de ter relações pessoais por causa de redes sociais virtuais. Ao contrário, percebo que elas se estreitam quando as pessoas já se conhecem e se ampliam quando as pessoas vêm a se conhecer pessoalmente depois da amizade virtual. As pessoas conectadas não estão alheias ao mundo, mas interagindo com outras, em frequência muito superior à era pré-internet. Estão aprendendo a se conhecer através de novas formas de comunicação. Pode haver exagero de vez em quando, faz parte dos processos de aprendizado (afinal, somos "interneticamente" adolescentes).

Porém, o exagero não está na suposta alienação das pessoas debruçadas nos seus celulares ou tablets como se não houvesse mundo à sua volta. Está, sim, na falta de percepção de que não se pode conversar com dois grupos de pessoas diferentes, sobre assuntos diferentes e ao mesmo tempo. É deselegante. Sempre foi! Mesmo antes da existência das redes de comunicação virtuais. A tecnologia atual nos permite estar em vários ambientes ao mesmo tempo, nos ajuda a "ocupar" dois lugares distintos ao mesmo tempo, e isso é muito legal!

Quem gosta de esperar numa fila? Ou no dentista, lendo revistas de fofoca, quase sempre de dois ou três anos atrás? Talvez seja melhor ler o jornal ou revista que queremos ou conversar com amigos enquanto se espera por alguma coisa. Os jovens de hoje estão em constante interação. Não perdem o contato uns com os outros. Essa interação é muito mais frequente do que nos tempos pré-internet. Quisera eu ter podido manter conversas frequentes com meus amigos de escola, desde os anos 1970 até hoje. Já me sinto feliz por poder encontrá-los mais de 30 anos depois... Antes de criticar, acho mais prudente refletir. Meus filhos adolescentes me ensinam muito sobre esse assunto. E eu, humildemente, aprendo, porque não quero me tornar um velho ranzinza.

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