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04 de Abril de 2014 - 06:00

Por JÚLIO BLACK - JORNALISTA

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Nada justifica a ditadura. Infelizmente, 50 anos após o golpe militar-civil de 31 de março/1º de abril de 1964, ainda há quem defenda a volta dos militares ao poder, tendo como argumento, principalmente, a corrupção de nossos políticos e a insatisfação com o atual Governo federal. Eles se esquecem, porém, de que muitos dos atuais representantes do povo na Câmara dos Deputados, no Senado, nos executivos e legislativos estaduais foram apoiadores de primeira hora do golpe ou estiveram ao lado da ditadura em algum momento até 1985. Para nossa sorte, as Forças Armadas não parecem mais ter disposição para interferir nos destinos do país como outrora.

Interferência esta (é sempre bom lembrar) que foi extremamente danosa ao Brasil: com a promessa de "devolver a democracia" ao país, o Governo militar acabou, na realidade, por eliminar quase todas as liberdades individuais do brasileiro, chegando ao ápice com o infame AI-5 (Ato Institucional Número Cinco), em 1968. O Congresso Nacional foi fechado, o mecanismo de habeas corpus foi proibido para determinados crimes, o presidente da República passou a ter poderes ilimitados.

A censura, que já existia, recrudesceu. Inúmeros expoentes da literatura, da música, do cinema, do teatro, das artes plásticas e da televisão tiveram suas obras proibidas, foram presos e precisaram até mesmo sair do país. Outro argumento dos defensores da volta dos militares ao poder - de que o Brasil cresceu durante a ditadura - é pífio. De uma inflação que girava entre os 70% e os 80% ao ano durante o Governo Goulart, passamos para os 300% na década de 1980, resultado da indexação de preços e salários, obras faraônicas e a multiplicação desenfreada de nossa dívida externa.

E não podemos ignorar a face mais sombria dos Anos de Chumbo: a violenta repressão que resultou em prisões, torturas, mortes e desaparecimento de milhares de brasileiros. Exemplo disso é a perseguição cruel à Guerrilha do Araguaia: até hoje, inúmeras famílias buscam descobrir onde foram enterrados os corpos de seus parentes, executados mesmo após se renderem. Mesmo com todos os defeitos, a democracia ainda é a melhor forma de se levar uma nação ao caminho da igualdade, do desenvolvimento, da justiça social e da cidadania - onde até mesmo os defensores do golpe militar podem se manifestar livremente. Na ditadura, ninguém tem voz, e todos têm medo.

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