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28 de Maio de 2014 - 06:00

Por ZÉ MÁRCIO (GAROTINHO) Vereador

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Apenas oito segundos. Não mais que oito segundos. Mas o suficiente para levantar poeira, agitar a arquibancada e promover o show, levando uma multidão ao delírio. Para muitos, essa é a sensação promovida por um rodeio. Porém, sob outro ângulo, tomo com base uma definição do escritor Augusto Cury de que uma das funções mais importantes da inteligência é a capacidade de se colocar no lugar do outro, demonstrando o grau de maturidade do ser humano. Façamos então esse nobre exercício de sair da comodidade de espectadores para estar ali, na posição de bois, touros ou cavalos: sob holofotes, fogos de artifício e outros barulhos, espremidos em grades e tendo no abdômen algo que prende, aperta e faz pular, numa ânsia evidente de se soltar de algo que incomoda.

Para completar esse cenário, mesmo diante de tudo isso, por limitação biológica, não é possível gritar, esconder, implorar ajuda. Certamente, esses oito segundos se transformam em infinitos oito segundos, desesperadores oito segundos. Afinal, precisamos de laudos, comprovações científicas ou basta fazer uso de nossa maturidade de "se colocar no lugar do outro" para saber o que são ou não maus-tratos?

Pois bem. Se o argumento da emoção ainda não é suficiente, nos valhamos da razão. O Artigo 225, inciso VII, de nossa Constituição Federal diz que é dever de todo cidadão proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. O Artigo 10º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais enfatiza que nenhum animal deve ser explorado para diversão do homem.

E já são aproximadamente 18 laudos do Ministério Público comprovando, cientificamente, que os instrumentos utilizados para fazer o animal pular causam dor e estresse. Isso sem destrinchar as condições de transporte, de treinamento, de alimentação desses eventos que percorrem país afora. O que, felizmente, já não acontece mais em 43 cidades brasileiras, dentre elas grandes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo.

E Juiz de Fora também está dizendo que não quer rodeios. É o que revelam as pesquisas, mobilizações nas redes sociais, enquetes, como as duas publicadas pela Tribuna, obtendo, na primeira, 64%, e, na segunda, 78% dos entrevistados se declarando contra essa prática. São os números da petição on-line que, em menos de duas semanas, colheu mais de 1.800 assinaturas pedindo o fim dos rodeios e também na audiência pública, que lotou a Câmara Municipal na última semana, com faixas, camisas, cartazes, pedidos (por vezes, acalorados). E se mesmo diante desses fatos ou de preferirmos não nos colocar no lugar de bois, touros, cavalos de rodeios para imaginar o que eles sentem, que também não nos coloquemos na posição desses animais no que nos difere, nos tornando irracionais.

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