Publicidade

20 de Maio de 2014 - 06:00

Por PAULO SÁ Coordenador do curso da Faculdade de Medicina de Petrópolis

Compartilhar
 

A construção da saúde sustentável é um alvo a ser perseguido por todos os seres humanos. No entanto, nos afastamos do verdadeiro conceito do que é saúde. Falamos de profissionais de saúde que, na verdade, são profissionais em doença. As faculdades pouco ou nada discutem sobre projetos em saúde, no sentido de programas de vida saudável, qualidade de vida, etc. O meio médico se orgulha de dizer que trabalha muito e não tem tempo para almoçar ou fazer exercício, como sinal de ser bom médico. Ledo engano!

Trazer a dimensão da sustentabilidade para o meio da saúde é um enorme desafio. Por princípio, a vida do profissional de saúde é insustentável, assim como a do professor que o forma. Como então construir a noção de sustentabilidade sem considerar o drama de sobrevivência do indivíduo e sua limitação de visão de mundo e de nível de consciência?

Parece ingênuo acreditar que está tudo correndo bem quando o ano de 2013 foi o mais quente já registrado no planeta, quando o Polo Norte derreteu completamente no verão do ano passado e assim por diante. Diante desses fatos, o médico ainda acha que vai assistir a tudo de camarote do seu consultório? Como provocar os jovens em relação à dimensão do problema sem tirar a esperança? No caso de um curso de medicina, a relação com o meio ambiente e a vida deveria ser natural. Nem sempre é assim que funciona na nossa sociedade capitalista. É preciso trazer o aluno para a reflexão sobre o que sociedade busca construir no futuro. Hoje, uma minoria (que vem crescendo) se conscientiza de que o dinheiro não é a única mola mestra.

O contato do aluno com a saúde pública o ajuda a ter outra visão da realidade. No primeiro momento, a tendência é achar que o problema é daquela localidade pobre, das pessoas que ali vivem e do Governo. Muitos têm um impacto que nunca conheceram, custam a entender que o problema é também deles, como cidadãos e futuros médicos. Com o tempo, a ficha cai, e começam a ver a importância que têm quando podem transformar a realidade local através da saúde.

Respeitar o próximo e o ambiente é fundamental, especialmente para um futuro profissional de saúde. O processo construtivo, o consumo de recursos naturais e o destino dos resíduos estão longe de ser resolvidos. Mas só a presença da educação ambiental não garante as mudanças de concepção de mundo. O processo educacional pautado em informação, transmissão e condicionamento não conseguirá, em tempo, promover isso. Parece que estamos numa sinuca. A solução está na educação? Certamente, mas essa que conhecemos não atende mais à velocidade das mudanças. Urge a necessidade de mudança radical no processo de ensino e aprendizagem. A ousadia parece que vai ser a única porta viável para o futuro da humanidade.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Encontre um tema na

Pesquisa

Edição impressa

Enquete

Você acha que alertas em cardápios e panfletos de festas sobre os riscos de dirigir sob efeito de álcool contribuem para reduzir o consumo de bebidas por motoristas?