Enquanto tantas pessoas se debruçavam sobre supostas intrigas envolvendo a Cúria Romana e sobre infundadas disputas entre os cardeais reunidos em conclave, Deus preparava uma resposta. A resposta de Deus foi o sorriso humilde e simples de um homem que, ao aparecer na sacada da maravilhosa Basílica Vaticana, nem parecia que tinha recebido a pesada missão papal. Mas como diz um salmo bíblico: "Deus ampara os humildes" (Sl 146,6).
A verdade é que sem o olhar da fé não é possível compreender a vida da Igreja. Assim, o resultado do conclave não pode ser analisado a partir de critérios meramente políticos, mas precisa ser compreendido à luz do caráter sobrenatural da Igreja. "A Igreja está na história, mas, ao mesmo tempo, a transcende. É unicamente com os olhos da fé que se pode enxergar, em sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina" (Catecismo da Igreja Católica n° 770).
Havia, no conclave, uma lógica que muitos analistas desconsideraram, e esta lógica divina superou as previsões mundanas. Trata-se de uma lógica de caráter sobrenatural que nos fala do mistério da santidade da Igreja que brilhou neste momento histórico. No sorriso simples do novo Papa Francisco, podemos ver e sentir esta lógica divina que nos fala da pureza, do desprendimento do poder mundano e das intrigas humanas. Num simples "boa noite" ("buona sera"), o novo Papa disse muitas coisas de Deus com seu jeito humilde.
Aqui em Juiz de Fora, ouviu-se o sino da Catedral no momento em que o Papa foi eleito, e, repentinamente, o céu ficou dourado! Que tarde fantástica! O zeloso e admirável arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, assim me escreveu: "Caro Sanábio, para nós em Juiz de Fora, a chuva forte que caiu momentos depois do Habemus Papam foi sinal do céu. O banho de ouro com o arco-íris que veio depois da tempestade foi o presente que Deus proporcionou a Juiz de Fora para celebrar esta hora histórica do povo de Deus, esse momento de ouro para cada um de nós que temos fé e amamos o Corpo Místico de Cristo". Esta última expressão de dom Gil nos diz que Cristo "é a cabeça do corpo que é a Igreja" (Epístola aos Colossenses 1,18).
Sinto-me feliz diante da simplicidade do novo Papa e penso nas seguintes palavras tão profundas do Concílio Vaticano II: "Caracteriza-se a Igreja por ser humana e, ao mesmo tempo, divina, visível, mas ornada de dons invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e, no entanto, peregrina. E isso de modo que nela o humano se ordene ao divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação à contemplação e o presente à cidade futura, que buscamos" (Concílio Vaticano II: SC 2). Observação: Aqui a expressão "cidade futura" diz respeito à nossa morada eterna, ou seja, ao céu.



$msg
Mais comentários