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15 de Maio de 2014 - 06:00

Por JOSÉ LUIZ MOREIRA GUEDES Médico e político

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Há 50 anos, entre os dias 31 de março e 1º de abril, desencadeava-se o Golpe Militar, que instalou uma ditadura de longa duração - 21 anos. Foi o pior regime da História brasileira, a noite de horror para o povo brasileiro. Implantada a ferro e fogo, a ditadura militar agiu em nome dos interesses das classes dominantes e do imperialismo estadunidense. O regime militar brasileiro foi um dos pilares em que se assentou a luta daquele imperialismo, no quadro da chamada Guerra Fria, para impor sua hegemonia mundial, estratégia para a qual o controle da América Latina era essencial.

A ditadura militar pretendeu exterminar, por meio da guerra contra o povo, em que se excedeu em métodos brutais e na prática de crimes de lesa-humanidade, as lutas sociais em curso por mudanças de fundo no país, então governado por forças democráticas e nacionalistas, sob a liderança do presidente João Goulart. Os golpistas alegavam que investiam contra as instituições democráticas para combater a corrupção, repor a moralidade na administração pública, restaurar a ordem e impedir que o Brasil se tornasse um país comunista, pela suposta influência do Partido Comunista no Governo e uma fantasiosa "inclinação" do presidente João Goulart ao comunismo. Alegavam ainda a necessidade de sanear a economia e as finanças nacionais, ameaçadas de bancarrota.

Nada mais falso. Os generais no poder declararam guerra ao povo e instalaram um clima de insegurança, medo, violência e terror para liquidar conquistas democráticas, sociais e patrióticas alcançadas em anos de duras lutas do povo brasileiro. Agiram em nome das classes dominantes, que temiam por seus privilégios. A prova cabal está no modelo econômico adotado na sequência - talhado segundo o figurino da grande burguesia monopolista e dos latifundiários. Na iminência de realizar as reformas de base, que constituiriam um passo importante para a consolidação da democracia e para abrir caminho ao progresso social, o país viu-se, com o Golpe Militar, obrigado ao retrocesso.

No transcurso do cinquentenário da deflagração do Golpe Militar, surgem falsas caracterizações, que, mesmo bem-intencionadas e alicerçadas em debates acadêmicos, têm por efeito suavizar o caráter do regime ou atribuir-lhe inexistentes méritos. A outra caracterização que vem em socorro dos generais, também com respaldo acadêmico, é a da ditadura "desenvolvimentista", qualidade que se procura atribuir ao Governo do general Geisel, uma leitura errada da fase que estava sendo percorrida pelo capitalismo dependente brasileiro que não só no período de Geisel mas nas mais de duas décadas que o regime durou, consistia numa aliança de classe entre o imperialismo (capital estrangeiro), a burguesia monopolista nacional e os latifundiários (capital nacional privado), com o respaldo do Estado empreendedor (capital nacional estatal), que punha a serviço do capital estrangeiro e do nacional gigantescos recursos e provia-lhes com infraestrutura.

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