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17 de Julho de 2014 - 06:00

Por BRUNO CARLOS MEDEIROS - COLABORADOR

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Trata-se de um consenso: como bem demonstrado pela Tribuna, cientistas políticos afirmam que o resultado de uma Copa do Mundo não interfere no resultado das urnas. De fato, os torneios anteriores não apontaram qualquer relação que indique coincidência com os pleitos imediatamente seguintes.

O ineditismo do resultado vexaminoso da Seleção, agora como anfitriã, contudo, impõe ressalvas na matemática desta análise. Trata-se da pátria reconhecida pelo seu próprio povo como "o país do futebol", e, ainda que vítima de toda a sorte de infortúnios, tínhamos na bola a representação máxima de nossa autoestima perante os demais povos: no futebol, pelo menos, éramos imbatíveis, e o peso dos cinco títulos mundiais legitimavam nosso orgulho e entusiasmo. Um placar como o conquistado pela Seleção Brasileira contra a Alemanha, se confrontado com a insatisfação tomada pelos brasileiros às vésperas do evento, pode trazer-nos a uma realidade inquietante: pagamos a festa para a felicidade dos outros - quase da Argentina! -, enquanto amargávamos o trauma da goleada. É o sentimento que, imediato, certamente se manterá nos devaneios dos muitos despreparados que compõem parte do eleitorado brasileiro.

O exame do jogo político, imprevisível por natureza, torna-se, neste ano, ainda mais sinuoso. Um resultado desastroso, ainda que distante das atribuições do Governo federal, pode assumir formas pontiagudas se utilizado pela oposição de maneira que confunda o eleitor menos preparado. Afinal, antes, Dilma, ao menor sinal de calmaria, postou-se, convenientemente, diante dos aplausos: criticou aqueles a quem chamou de "pessimistas"; rotulou a própria administração de "Padrão Felipão" e chegou a posar munida do infantil "é tóis", variação da expressão "é nóis", gesto utilizado por Neymar e seus comparsas. A presidente, enfim, invertera a lógica prenunciada em massa pela imprensa e pelos protestos que se espalharam pelo país. Veio o massacre, e a oportunidade da oposição de tirar proveito político do evento tornou-se realidade.

Já é bem possível identificar, por meio de nossas habituais andanças pelas ruas da cidade - um passeio pelo calçadão da Halfeld, talvez -, declarações que surgem de vozes perdidas, sem dono, atribuindo à presidente a responsabilidade por todas as desgraças que assolam o país, mesmo as futebolísticas.

O despreparo do eleitor será, uma vez mais, a grande arma da próxima eleição.

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