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22 de Dezembro de 2013 - 07:00

Por MILTON DUTRA PEREIRA Colaborador

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Quem viveu em Juiz de Fora e gostava de cinema lá pelos anos 1970 e 1980 foi bem mais feliz do que os cinéfilos que aqui moram hoje. Naquela época, para uma população em torno de 200 mil habitantes, a cidade tinha, pelo menos, dez salas de cinema, o que proporcionalmente era bem mais do que as 14 de hoje para uma população que se aproxima do triplo daquela. Nesta proporção, deveríamos contar com uns 30 cinemas atualmente!

É claro que aquela era outra época, outro mundo. Hoje, a televisão é uma força avassaladora com centenas de canais por assinatura, a internet se torna mais e mais onipresente, e smartphones e tablets são cada vez mais uma fusão destas e outras mídias. Enfim, as opções de lazer e fontes de informação são hoje incomparavelmente mais diversificadas do que as daquele tempo.

No entanto, naqueles tempos, a parcela da população para a qual a principal fonte de cultura e entretenimento era o cinema tinha acesso à produção de qualidade que vinha da Itália, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha e de países do leste europeu, sem contar as produções americanas fora da linha mais comercial. Isto porque, entre aquelas tímidas dez salas, sempre houve uma destinada à exibição de filmes de maior valor artístico ou o chamado cinema de arte. Os exemplos mais emblemáticos foram o Cine Festival, no mezanino do Teatro Central, o Cine Paraíso, no Bairro São Mateus, e, nos últimos anos, o Cine Alameda. A existência desta alternativa criou e cultivou um público sensível e exigente, que encontra prazer e se identifica com o melhor da produção da outrora chamada sétima arte.

Este público só é significativo em grandes metrópoles, e até mesmo em cidades médias de bom nível cultural, como sempre foi o caso de Juiz de Fora, mas que agora está ameaçada de vê-lo desaparecer, já que o único circuito que exibia o chamado cinema alternativo não mais o faz devido à troca de donos.

Este público, nos últimos meses, tem tentado transformar sua frustração em ações em busca de uma solução. Entidades como a Aliança Francesa, a Pró-Reitoria de Cultura da UFJF e o Grupo Luzes da Cidade apoiam estas ações, e uma petição para se implementar uma programação de qualidade no Cine Palace, lançada na internet, atingiu mais de 600 assinaturas que representam as milhares de pessoas que se ressentem da séria lacuna cultural provocada pela ausência desta programação. Uma solução relativamente fácil se mostra possível, já que a cidade tem o raro privilégio de ter a Secretaria de Cultura (Funalfa) gerindo um cinema com duas salas, e uma delas se prestaria perfeitamente a esta função, enquanto a outra ofereceria uma programação comercial normal, o que viabilizaria financeiramente o esquema. Some-se a isto o anúncio feito na Tribuna, pela empresa que atualmente programa o Cine Palace, sobre a instalação, em breve, de equipamento de projeção digital atualizado, o que é condição básica para tornar possível a ideia.

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