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28 de Março de 2014 - 06:00

Por PAULO DINIZ -BACHAREL EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS (PUC MINAS)

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Recentemente, a divulgação de pesquisa eleitoral para a Presidência da República causou furor entre os apoiadores de Dilma Rousseff: comemoraram a possibilidade de reeleição em primeiro turno, apontada pelos números. A oposição repetiu a velha afirmação segundo a qual pesquisas realizadas com grande antecedência têm pouco valor, pois o eleitor brasileiro forma sua opinião às vésperas do pleito. De fato, os números obtidos em fevereiro têm quase a mesma validade que um palpite para a Copa do Mundo. Entretanto, há fatores que fazem da disputa de outubro uma incógnita ainda maior do que as demais eleições.

É importante perceber os sinais de que o Brasil, aparentemente, completou um ciclo, estando a população ávida por mudanças. Percebe-se isso porque a principal "oferta" que os governos petistas colocaram ao povo não mudou em sua essência: o "pacote" de programas sociais vem sendo executado há quase 12 anos e, sabe-se com segurança, produziu resultados significativos. A população está, assim, cada vez mais saciada de programas sociais, de forma que a intensificação desses não deve funcionar como um trunfo da campanha de Dilma, mas sim como uma vulnerabilidade: perceber essa carência de "algo novo" do eleitorado brasileiro é um ponto-chave para a reeleição da atual presidente.

Vivemos momento eleitoral semelhante ao do princípio da década passada: a estabilização econômica havia sido o grande trunfo nas eleições dos anos 1990, garantindo a Fernando Henrique Cardoso duas vitórias acachapantes; em 2002, o público já queria mais do que uma moeda forte, e Lula surgiu como "o homem certo na hora certa", propondo grandes mudanças. Desde então, o crescimento da classe média e a superação da extrema pobreza foram grandes avanços, mas, como o Plano Real em sua época, já deixaram de ser considerados como suficientes pela maioria da população. A diversificação dos benefícios sociais adotada pelo Governo Dilma, com o lançamento recente do "Vale-Cultura", representa "mais do mesmo", e não a inovação que os brasileiros demandam.

A oposição, por sua vez, poderá incorporar mais facilmente a renovação desejada pelo eleitorado: tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos são estreantes na arena nacional, enquanto Marina Silva já mostrou, em 2010, sua grande capacidade de atrair as esperanças populares. O tucano mostrou estar atento para tal cenário, pois, em suas primeiras declarações como pré-candidato, se anunciava como representante de um movimento "pós-Lula", e não apenas um antagonista. Campos e Marina, como ex-integrantes do Governo federal, podem encarnar ainda melhor a promessa de evolução da plataforma petista, porém ainda não concentraram o discurso nesse sentido.

A julgar pelo teor das manifestações de 2013, a melhoria nas condições de vida nos grandes centros urbanos parece ser uma temática marcante desse desejo nacional por novidades. O candidato que priorizar tais propostas, nos três meses de campanha do segundo semestre, deve ocupar realmente a posição de favorito.

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