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09 de Abril de 2011 - 07:00

Por IRIÊ SALOMÃO DE CAMPOS

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Por alguns instantes, deixar a vida lá fora, pensar no dia vivido e no tempo a se viver. Conquistar conhecimentos que sejam suficientes e bastante fortes no sustento do equilíbrio frente ao mundo exigente. Essa é uma das funções objetivas da religião: fortalecer a cada um de nós, que, por intermédio de uma crença, empenha-se em aprimorar suas condições interiores, força motriz de todos os pensamentos e ações individuais. Quando somadas, caracterizam o comportamento social de uma pessoa, povo, país e nação.

Nossa individualidade espiritual nos leva à eterna busca da felicidade, como se fosse algo a ser no mundo encontrado de propósito ou casualmente aqui e acolá, escondido embaixo do pano do acaso. A felicidade não se acha em um lugar determinado no espaço universal, suas causas estão em nós mesmos, segundo nossa vontade de encontrá-la. Para alguns, está à flor da pele; para outros, deve-se mergulhar no mais profundo de suas almas. Foi o Cristo que nos disse: "O reino dos céus está dentro de vós". Textos anteriores à era cristã indicam no íntimo de cada ser a existência do gérmen da felicidade, como nos textos Vedas: "Tu trazes dentro de ti um amigo sublime que não conheces".

Os grandes ensinamentos expostos ao longo da história concordam que é na vida íntima, no empenho pessoal, no florescer de nossas virtudes que desabrocharão todas as faculdades espirituais, conduzindo-nos infalivelmente à felicidade.

O ser humano é movido por dois círculos ou esferas circunscritas uma à outra. Uma é composta pelo "eu" paixão, fraqueza egoísta e insuficiente, que nos conduz à materialidade mutável de crer somente naquilo que pode ser visto, medido e quantificado. A outra é interior, profunda e imutável. Fonte da nossa consciência e da vida espiritual, sede íntima, templo de Deus em cada um de nós. Quando esta esfera de ação domina a outra, revela-se em cada um a potência espiritual. Para tanto, é necessário deixar o mundo lá fora por alguns instantes, reservando um tempo para o "eu" espiritual, redescobrir a semente divina que habita em nós como foco de todo amor e princípio de todas as ações de benemerência cristã, já que o mundo com suas ferramentas imediatistas conduz o ser para o "eu" paixão.

Estudar a doutrina espírita nos eleva ao mais alto na compreensão do Evangelho e de suas sábias palavras: "E o verbo se fez carne...", "Na verdade, te digo que não pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo...", "Eu sou o caminho, a verdade e a vida...", "E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará o consolador, para que fique eternamente convosco...". Reflexões na máxima pureza cristã serão estudadas profundamente ao longo dos dias 11 a 17 de abril, na 23ª edição da Semana de Kardec.

Jesus em nossos dias é a redescoberta da nossa esfera espiritual que romperá o mais obscuro sentimento, descortinando a trilha da felicidade, fazendo-nos verdadeiramente cristãos no século XXI.

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