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09 de Julho de 2014 - 06:00

Por JOÃO MARCIO LIGNANI SIQUEIRA

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Ao ver se completarem os 20 anos do Plano Real, resolvi entrar no túnel do tempo e rever o que vivi na época da hiperinflação, felizmente encerrada com esse plano. Era o ano de 1986, e o país vivia os primeiros dias do lançamento do Plano Cruzado. Eu, engenheiro responsável por área de orçamentos e custos, estava empolgado e com muita esperança de que teríamos um basta na inflação que tanto transtorno nos trazia e dificultava enormemente a gestão e a comunicação com as demais áreas da empresa de construção pesada em que trabalhava.

Tive a oportunidade de encontrar o então senador Itamar Franco no antigo hotel D'el Rey em Belo Horizonte e, entusiasmado com o Plano Cruzado, comentei com ele toda minha expectativa otimista com o fim da inflação e os transtornos que ela trazia. Para minha surpresa, o senador Itamar Franco manifestou sua descrença quanto ao sucesso do Plano Cruzado, ressaltando que não existiam as pré-condições necessárias para que se atingisse o objetivo.

Creio que o povo ficaria satisfeito com o governo de Itamar, sabidamente curto, que somente mantivesse as instituições funcionando democraticamente, coibisse a corrupção e preservasse a paz e ordem públicas. Não se imaginaria que um governo de apenas dois anos fosse capaz de planejar e executar um sexto plano para controle da inflação, após cinco fracassos.

Entretanto, o presidente Itamar Franco, com sua sensibilidade para os dramas do povo, não titubeou em encarar um grande desafio, promovendo com energia a busca de condições para que um novo plano fosse elaborado. Assim, considerando que já existiam algumas pré-condições, sabedor de que outras ainda teriam de ser construídas, nomeou Fernando Henrique como Ministro da Fazenda e deu todo apoio político e condições para que o Plano Real se tornasse, de sonho, uma realidade.

Para muitos, parecia impossível o evento, que agora completa 20 anos, após cinco sucessivos planos fracassados. Muito mais seguro, imune a críticas futuras na hipótese de mais um insucesso, seria para o presidente Itamar Franco apenas conduzir a economia em banho-maria, deixando passar o tempo até o fim de seu curto mandato, entregando o país em paz para seu sucessor. Mas a ousadia e a coragem do presidente Itamar o impeliram a buscar uma solução que resgatasse a moeda nacional e permitisse, em 1994, o fim do flagelo inflacionário.

Coincide a comemoração dos 20 anos do Plano Real com o terceiro ano da morte do presidente Itamar Franco, que fez por merecer nosso reconhecimento como o presidente que viabilizou o fim da hiperinflação, juntamente com o ministro Fernando Henrique e toda a equipe de brilhantes economistas.

Assim, um governo curto, tido por alguns como fraco, deixou para a posteridade uma nova ordem econômica, um legado extremamente forte, que há 20 anos beneficia a todos, principalmente as camadas mais pobres da população e que mais sofriam com o flagelo inflacionário. Por fim, foi um governo de coração mineiro que muito impediu a corrupção e que deixou uma marca exemplar de honestidade, ética e seriedade na política e no trato dos bens públicos.

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