Publicidade

12 de Junho de 2012 - 07:00

Por LÉIA VIEIRA DE SOUZA LIMA - PROFESSORA DO POLIVALENTE DE BENFICA

Compartilhar

Constantemente, atores vendem suas imagens para popularizar, Brasil afora, as mensagens de governantes e afins, com o que lhes é favorável. Profissionais da educação do estado de Minas afirmam que, em 1967, receberam o salário de março em novembro. Foi quando Magalhães Pinto, o único que olhou pelos professores, aumentou o salário em 100% e acabou com os atrasos. Não houve outro governador que, de forma significativa, corrigisse distorções nesta árdua carreira.

Salários não sobem e até caem, com sucessivas mudanças, por meio de injeção camuflagens para parecer compensar as perdas. Como podem afirmar na mídia que estão valorizando os professores? O que significa valorizar o professor?

Se os alunos estão vencendo, se se destacaram nas Olimpíadas de Matemática e em outros exames públicos nacionais, é porque há alunos e professores de grande valor, mas quem os valorizou senão eles mesmos?

Há muitos alunos leitores, como a aluna que, no ano de 2011, no Polivalente de Benfica, ao terminar a leitura de um livro, disse para a professora da biblioteca: "Absorvi cada palavra da leitura, foi lindo..." ou aquele aluno hiperativo que aprendeu a gostar de ler no quinto ano escolar e gostava de contar tudo sobre o livro lido, além de tantos outros que leem muito, com resultados na sua formação pessoal, de estudo e como cidadãos. Eles saberão ler as camuflagens.

Dinheiro não é o único valor que se busca, mas um produto de melhor qualidade exige mais gasto no processo, e o retorno teria que ser maior, embora, na educação, como na agricultura, nem sempre a colheita seja proporcional aos cuidados em função das "tempestades e pragas", muitas vezes, incontroláveis. Portanto, já que os atores têm proclamado que a produção tem sido "sustentável", é condizente que o retorno dê aos professores condições de sustento com qualidade de vida.

Uma nova escola na comunidade é algo que encanta os olhos, mas uma escola antiga, sem as reformas de que carece, fere todos os sentidos. Escolas polivalentes formaram, através da educação para o trabalho e acompanhamento pessoal dos alunos, eficazes profissionais e pessoas felizes. Hoje, já não são "polivalentes" no currículo, e a de Benfica em Juiz de Fora requer urgência na reforma do prédio. Os responsáveis pelo custeio alegam ser alto o orçamento, mas quanto mais retardarem, mais custará. Professor e demais trabalhadores da educação merecem um ambiente de trabalho acolhedor e uma vida feliz fora dele com aplicação do que ali semearam e colheram. Muitas vezes, uns plantam, e outros usufruem. Porém, se os que têm usufruído não cuidarem das políticas em prol de uma sociedade educada, saudável, segura e justa, não escaparão dos resultados.

Educação poderá gerar saúde e responsabilidade social quando educandos puderem acreditar, através da realidade, que educação tem valor de fato e que vale a pena deixar-se educar.

Publicidade

Publicidade

Mais comentários

Ainda não é assinante?

Compartilhe

Publicidade

Edição impressa

Encontre um tema na

Pesquisa

Enquete

Com que frequência você tem problemas com sua operadora de telefonia celular?